Título: Daqui a 2 dias, corrida entre os presidenciáveis chega à TV
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/08/2006, Nacional, p. A4

A partir de terça-feira, os candidatos a ocupar o Palácio do Planalto nos próximos quatro anos transferem para a arena televisiva a briga pelos votos que podem carimbar seu sonho. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Heloísa Helena (PSOL), Cristovam Buarque (PDT) - assim como os demais postulantes à Presidência da República - estréiam no horário eleitoral gratuito apostando em fórmulas diferentes.

O desafio é vencer a relativa pasteurização das eleições anteriores e uma crescente desconfiança do eleitor, apontadas por especialistas em marketing político. Em 2002 e 2004, apenas metade dos aparelhos continuava ligada após o início dos programas. Para os especialistas, a propaganda eletrônica tem importância cada vez menor, sobretudo por conta da avalanche de informações propiciada por debates, entrevistas e outras modalidades de exposição na mídia jornalística.

Os candidatos prometem caprichar, apesar do alegado dinheiro curto desta eleição. O programa de Lula quer mostrar ao País realizações que - avaliam os petistas - não foram notadas por conta dos escândalos e da crise política instalada nos últimos dois anos de mandato. Sem o marqueteiro Duda Mendonça, o horário petista deve ser menos emocional e mais pragmático - ainda que embalado pelo baião.

Ao som de forró, a propaganda de Alckmin trará ingredientes para justificar o nome de sua coligação - Por um Brasil decente. Depois dos primeiros programas, que devem apresentar o candidato, a idéia é tentar levar o debate para o campo da ética, relembrando as mazelas do governo Lula. Ao mesmo tempo, Alckmin fará das expressões "trabalho e renda" seu mantra, com idéias para levar desenvolvimento ao interior e assim intensificar o crescimento.

TEMPO CURTO Heloísa Helena sai na frente, pelo menos na ordem de exibição. É a candidata do PSOL que, na terça-feira, abre o horário eleitoral - depois, em esquema rotativo, os candidatos trocam de ordem, com o último de cada dia iniciando a programação do dia seguinte. Heloísa terá pouco mais de um minuto, contra mais de 7 minutos de Lula e mais de 10 de Alckmin. A senadora também enfrentará o desafio de reciclar a retórica da mudança, desgastada pela trajetória do petista.

No caso de Cristovam Buarque, o tema da propaganda eletrônica não poderia ser outro - educação. O pedetista apronta programas recheados de propostas, em que o principal marqueteiro é ele mesmo, que já chega com textos prontos ou fala de improviso. "Educação é tudo", diz o slogan que inventou.

Serão 45 dias de propaganda eleitoral, com duas edições diárias de 25 minutos, além dos pequenos comerciais no meio da programação regular de rádio e TV. Um cardápio para eleitores de todos os gostos - para alguns, de difícil digestão.