Título: Alckmin vai apostar no binômio trabalho e renda
Autor: Carlos Marchi
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/08/2006, Nacional, p. A6
Trabalho e renda - este binômio será o pilar do conjunto de propostas que o candidato Geraldo Alckmin vai explorar em seus programas de televisão e rádio, nos quais vai apresentar idéias para criar pólos de desenvolvimento no interior. O primeiro programa de TV, gravado ontem, contará quem é o candidato, mostrando uma trajetória política que transitou por todos os cargos legislativos e executivos - isso muda só se o debate da TV Bandeirantes, amanhã à noite, forçar uma alteração de estratégia.
O formato será essencialmente jornalístico. A música central do programa será um forró, mas no rádio a campanha tucana terá um conjunto de músicas mais apimentadas, sátiras que serão facilmente atribuídas a personagens reais da política. A campanha não terá propriamente um slogan, mas haverá uma referência geral que simboliza a preocupação com as questões éticas - "Por um Brasil decente", que já nomeia a coligação de Alckmin.
PRINCÍPIOS ÉTICOS Nas edições seguintes, os programas passarão a ter dois vetores bem definidos. No principal deles, o candidato terá uma participação mais intensa e mostrará as suas propostas para o País; o segundo vetor abordará o que assessores de Alckmin chamam de "princípios éticos e morais". Nele, as falas serão de apresentadores e Alckmin aparecerá apenas para manifestar alguns princípios que defende. O programa terá 10m22s.
Na parte principal do programa, Alckmin apresentará propostas para o crescimento e geração de emprego, focando no agronegócio e na mineração, setores capazes de "devolver ao interior a capacidade de gerar trabalho e renda". Alckmin dirá que o Brasil não está aumentando a área plantada da agricultura e que o barateamento do preço dos produtos agrícolas acabará revertendo contra os consumidores a partir do ano que vem, em razão da quebra geral que devasta o campo.
Ele terá três números na ponta da língua para defender o agronegócio como uma das molas capazes de criar o que ele insistentemente rotula de "oportunidades" no interior brasileiro: o setor representa 32% do PIB nacional, emprega 37% da força de trabalho e domina 42% das exportações.
Mas todo o arcabouço de projetos destinados o binômio trabalho e renda deverá ser implantado com algumas preocupações. A principal delas é que o conjunto de políticas deve ser articulado, de forma a não desenvolver mais um setor e menos outro; a segunda peculiaridade é que esse conjunto deve permitir um desenvolvimento mais acelerado das regiões que hoje são mais pobres - como o Nordeste - de forma a compensar o atraso histórico no desenvolvimento regional.
Outro aspecto que será repisado por ele é que o Brasil precisa agregar valor em suas exportações. Aqui entra o segundo setor que será privilegiado no programa de Alckmin, a mineração. Uma dos pontos gravitacionais de seu programa de governo será a idéia de estimular a construção de siderúrgicas perto dos pólos exportadores, uma forma de gerar emprego e renda em áreas do interior.
ÁREA SOCIAL O segundo grande foco será voltado para as questões sociais e a maior novidade de Alckmin será propor a criação do que ele chama de "pólo de oportunidades", com a geração de atividades econômicas em áreas de concentração do Bolsa-Família, alavanca da campanha do seu principal adversário. Na educação, vai repisar a ampliação do ensino técnico como forma de dar uma profissão aos jovens antes da idade adulta. Na saúde, ele vai mostrar as realizações do seu governo, com destaque para a construção de 19 hospitais, com o objetivo de convencer o eleitorado de que suas promessas têm conexão com a realidade. Também na área de transportes mostrará à exaustão as estradas que construiu e ampliou em São Paulo.