Título: Bush: 'EUA estão mais seguros que antes do 11/9'
Autor: Paulo Sotero
Fonte: O Estado de São Paulo, 11/08/2006, Internacional, p. A19
Os americanos estão proibidos desde ontem de carregar pasta de dentes, bronzeador, gel para cabelos ou qualquer outro tipo de produto líquido ou gelatinoso na bagagem de mão quando viajarem de avião. A medida foi tomada depois do desbaratamento, em Londres, de um complô terrorista que pretendia derrubar vários aviões que decolariam do Aeroporto de Heathrow com destino a diferentes cidades americanas. As explosões seriam provocadas pela combinação, em vôo, de várias substâncias líquidas.
O presidente George W. Bush garantiu, no entanto, que "o país está mais seguro do que estava antes (dos ataques terroristas) de 11 de setembro ( de 2001)", graças ao que chamou de "as muitas medidas que tomamos para proteger o povo americano".
Bush, que falou aos jornalistas ao chegar a Green Bay, Wisconsin, numa breve interrupção de suas férias no Texas, admitiu que "obviamente, ainda não estamos em completa segurança, porque ainda há pessoas que conspiram e querem nos causar danos pelas coisas nas quais acreditamos".
Segundo Bush, a prisão, na Inglaterra, de 24 dos envolvidos na conspiração "é um forte lembrete de que esta é uma nação em guerra com fascistas islâmicos que usarão quaisquer meios para destruir aqueles que amar a liberdade". Por isso, ele disse que "é um erro crer que não haja nenhuma ameaça aos EUA". Sublinhando a declaração, pela manhã o governo emitiu o alerta de segurança vermelho - o máximo - em todos os vôos entre a Inglaterra e os EUA e pôs os demais vôos sob alerta amarelo, o terceiro em perigo na escala de cinco.
A normas introduzidas às pressas ontem causaram transtornos em praticamente todos os grandes aeroportos americanos. Muitos vôos atrasaram ou foram cancelados. Os guichês das companhias aéreas e as áreas de inspeção de segurança de passageiros e bagagens de mão ficaram congestionados por enormes filas. Por isso, várias empresas relaxaram as regras e passaram a permitir que as pessoas despachassem uma terceira mala com os produtos retirados na bagagem de mão, sem custos, além das duas permitidas, para apressar o processo de embarque.
Embora a reação natural dos americanos seja a de apoiar ações antiterroristas preventivas como as levadas a cabo pelas autoridades britânicas e americanas, a reação de Bush mostra que ele reconhece o risco político que - quase cinco depois do 11/9 - o episódio de ontem trás para seu governo.
Indagado pelos jornalistas sobre o tempo provável de vigência das novas medidas de segurança nos aeroportos, o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow disse não ter "a menor idéia".
Empenhado em enfatizar o papel de Bush como líder da guerra global contra o terrorismo, pelo qual ainda recebe notas altas do público a despeito do desencanto generalizado com a guerra do Iraque, Snow disse que o presidente vinha acompanhando de perto as investigações conduzidas pelos ingleses desde o fim de semana e conversou duas vezes na quarta-feira a respeito do caso com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
O porta-voz esclareceu que "a operação foi inteiramente britânica" e os executivos das empresas aéreas visadas pelos terroristas foram notificadas. Ele se recusou, no entanto, a revelar os nomes das companhias afetadas, afirmando tratar-se de informação operacional.
"O importante é continuar a deixar claro para os americanos que é seguro viajar", disse Snow. "Haverá algumas inconveniências, obviamente, mas pensamos, por outro lado, que é importante que as pessoas sejam capazes de viajar e de viajar com segurança."