Título: Trechos
Autor: Sônia Filgueiras, Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/10/2006, Nacional, p. A4
Dinheiro - 'Em todo esse caminho (dos dólares) não existiu mais controle das notas e, pior, começaram a surgir fraudes para esconder a real operação de compra de dólares, revelando os já conhecidos 'laranjas''
Hamilton Lacerda - 'Era homem de confiança da campanha para governador de Aloizio Mercadante, candidato do Partido dos Trabalhadores. O dossiê, com certeza, visava alterar o rumo das pesquisas do eleitorado paulista, fazendo uma relação do candidato José Serra com a máfia dos sanguessugas'
Dissimulação de Lacerda - 'Está cada vez mais difícil acreditar na sua versão de que teria ido ao Hotel Ibis Congonhas para levar uma bolsa cheia de boletos de contribuição da campanha presidencial. Essas e outras dissimulações potencializam a curiosidade de todos sobre a origem do dinheiro. Se o numerário teria vindo de fonte lícita, por uma lógica simples, o dono já teria vindo reclamá-lo'
Dólares - 'Cerca de metade dos dólares eram notas novas e seriadas e a outra parte já mais antiga. Os reais eram em quase sua totalidade em notas usadas, muitas em valores pequenos.
Tudo leva a crer que as notas não vieram de uma única origem'
Origem do dinheiro - 'Podemos dizer, sem medo de errar, que em todas as declarações, depoimentos e interrogatórios juntados nos autos não se retira uma indicação sobre a origem do dinheiro'
Jorge Lorenzetti - 'Jorge Lorenzetti, pelo que se sabe até este momento, foi a pessoa que articulou no âmbito nacional a compra do dossiê.
Pediu que Gedimar Passos fizesse o contato inicial com Valdebran Padilha, dando funções específicas a Expedito Veloso e Oswaldo Bargas.
Pediu também que Gedimar fosse a São Paulo para receber o dossiê e entregar a Hamilton Lacerda. Tudo ao seu comando e, estranhamente, não sabia do dinheiro'
Reais - 'Quanto à origem dos reais, a situação se mostrou mais complicada, pois se sabe que pelo menos parte do dinheiro não seguiu o caminho do sistema financeiro formal'
Bicho - 'Temos fortes indícios, mostrados em relatório juntado aos autos, de que parcela do numerário veio do jogo do bicho carioca.
A numeração constante nos dois tickets de somas encontrados com o dinheiro seriam pontos do jogo do bicho em Duque de Caxias e Campo Grande, no Rio de Janeiro.
Já foram feitas alguma diligências, com buscas em bancas de jogo do bicho, havendo expectativa de se fazer outras'.
Significado dos carimbos - O número 118 é a identificação de uma banca de jogo do bicho no município de Duque de Caxias, na Baixada fluminense. O número 119 seria a identificação da banca do jogo do bicho no bairro de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro'
Valdebran sobre o dinheiro - 'Quanto ao dinheiro mostrado em imagens (câmeras do hotel) disse que a mala entregue por Hamilton a Gedimar era a que continha o dinheiro, a primeira parcela lhe foi entregue, não vendo nenhum boleto de contribuição de campanha'
Freud Godoy - 'Disse que não deu qualquer apoio às pessoas envolvidas'
Ricardo Berzoini - 'Disse que teria sido ele que convidou Jorge Lorenzetti para que ele fizesse análise de risco da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Em relação ao dossiê, disse que não tinha conhecimento prévio e que Jorge Lorenzetti tinha obrigação de comunicá-lo, o que não fez. Sobre o dinheiro apreendido, nada sabia antes. Depois da apreensão, questionou Lorenzetti e este teria respondido que não teve participação na negociação que envolvesse valores em espécie'
Hamilton Lacerda - 'Quanto à afirmação de Hamilton Lacerda, de que teria levado boletos de contribuição da campanha presidencial, Berzoini não soube responder por que ele estaria fazendo isso.
E, pelo que sabe, não seria função do coordenador da campanha paulista'