Título: Coaf investiga contas de Berzoini desde setembro
Autor: Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/10/2006, Nacional, p. A6
Presidente afastado do PT entrou na mira logo após prisão de Gedimar e Valdebran com o R$ 1,75 milhão
Ricardo Berzoini, presidente afastado do PT, há quase um mês é alvo da Polícia Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Muito antes de ser chamado para depor, no início desta semana, e logo depois que dois quadros de seu partido - Gedimar Passos e Valdebran Padilha - caíram em São Paulo, dia 15 de setembro, de posse do R$ 1,75 milhão destinado à compra do dossiê Vedoin, Berzoini já fazia parte do rol de investigados.
Sob suspeita de envolvimento na trama do dossiê antitucanos, ele é o primeiro de uma lista de 24 pessoas na mira dos federais. São 12 pessoas físicas, inclusive 6 petistas (Berzoini entre eles), e 12 empresas, fundações, institutos e consultorias.
As autoridades buscam operações financeiras atípicas eventualmente realizadas por Berzoini e os outros suspeitos. Documento confidencial subscrito por Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do Coaf, revela 'buscas sistemáticas' no banco de dados do órgão.
O Coaf integra o organograma do Ministério da Fazenda e tem atribuição legal para identificar transações bancárias excepcionais. O trabalho corre sob segredo.
O rastreamento está sendo executado a pedido da Polícia Federal - a solicitação foi formalizada no dia 25 durante reunião no Coaf. Por meio do ofício 7.400 Coaf/MF, Rodrigues informa o delegado Luis Flávio Zampronha de Oliveira sobre os passos da missão. Zampronha é o delegado da PF designado para identificar a origem do dinheiro que seria usado pelo PT para comprar o dossiê.
CÓPIAS
Dois dias depois da reunião, o presidente do Coaf comunicou o delegado da Polícia Federal que 'encaminhou às instituições financeiras indicadas cópia do ofício (de Zampronha) com solicitação no sentido que forneçam eventuais informações cabíveis'.
Rodrigues observou que 'a obtenção de qualquer informação protegida por sigilo bancário daquelas instituições depende de autorização judicial'.
O documento, de 27 de setembro - 12 dias depois da prisão de Valdebran e Gedimar em um hotel de São Paulo -, informa que o rastreamento ainda não havia produzido resultados. Rodrigues destacou que não localizou, 'até o momento, quaisquer registros de comunicações suspeitas ou de saques ou provisionamentos para saques relacionados ao caso'.
Também são alvos da pesquisa Expedito Alonso Veloso, Gedimar, Hamilton Lacerda, Jorge Lorenzetti e Osvaldo Bargas, quadros do PT citados no inquérito do dossiê.