Título: Negociação com a Bolívia é retomada
Autor: Adriana Chiarini
Fonte: O Estado de São Paulo, 23/11/2006, Economia, p. B11

A Petrobrás e a estatal boliviana YPFB retomaram ontem as negociações a respeito do preço do gás natural importado pelo Brasil. Segundo o diretor de Gás e Energia da estatal, Ildo Sauer, uma comitiva de negociadores já está na Bolívia para uma nova rodada de conversas que deve se estender até o fim da tarde de hoje. O prazo para as negociações vence no próximo dia 10.

Na avaliação de Sauer, o encontro desta semana não deve ser conclusivo. 'Devemos ter mais uma reunião antes do fim do prazo', disse. Ontem de manhã, o executivo adotou uma atitude mais diplomática, evitando repetir que a estatal não aceitará aumentos. 'Mandei uma equipe conversar e, se falar qualquer coisa antes do fim da reunião, estarei desautorizando eles', explicou.

Desde o início da crise, a Petrobrás vem dizendo que não há espaço para reajustes além dos previstos em contrato. O Brasil paga hoje pouco mais de US$ 4 por milhão de BTU nas importações da Bolívia.

Os bolivianos querem adequar o preço ao mercado internacional, elevando para o mínimo de US$ 5, valor negociado com a Argentina no mês passado. O prazo das negociações já foi adiado três vezes, desde que La Paz pediu a revisão, em maio.

Sauer informou que a Petrobrás está recebendo entre 21 milhões e 23 milhões de metros cúbicos de gás boliviano por dia. A redução em relação à média dos últimos meses (25 milhões de metros cúbicos) deve-se a obras de recuperação de um gasoduto no sul do país vizinho, danificado por fortes chuvas em maio.

Na época, o governo chegou a trabalhar em um plano de contingência para o mercado, que não precisou ser adotado porque a estatal fez um reparo provisório na tubulação.

Segundo o diretor da Petrobrás, agora também não haverá necessidade cortes de fornecimento para o consumidor final. 'Estamos absorvendo toda a redução em nossas térmicas e refinarias', explicou.

As obras entraram em sua segunda fase, que deve durar 11 dias. O diretor da estatal brasileira, porém, não quis prever quando serão concluídas.'Estamos em época de chuvas, o que dificulta qualquer previsão.'

USINA DO CEARÁ

Sauer disse que está otimista em relação a um acordo com os acionistas da usina siderúrgica Ceará Steel, que reclamam de falta de gás para o projeto. O projeto, parceria entre a italiana Danieli, a coreana Dongkuk e a Companhia Vale do Rio Doce, começou a ser negociado com a estatal em 1996. Anteontem, o governador eleito do Ceará, Cid Gomes, recorreu ao Ministério da Fazenda para pedir uma solução.

'É absolutamente natural que um jovem e dinâmico governador eleito se interesse por todos os projetos de seu Estado', disse Sauer. 'Mas trata-se de um negócio e a Petrobrás não está autorizada a vender produtos abaixo de seu custo', completou. Segundo ele, as negociações foram retomadas e serão baseadas em uma nova realidade de preços do combustível.