Título: EUA têm menor expansão em 3 anos
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Fonte: O Estado de São Paulo, 23/10/2006, Economia, p. B5
O enfraquecimento do mercado imobiliário levou a economia dos Estados Unidos a crescer no menor ritmo em três anos. O país se expandiu a uma taxa anualizada de 1,6% no terceiro trimestre, informou ontem o Departamento do Comércio. O número ficou abaixo da projeção mais freqüente dos analistas, que apontava para um crescimento de 2,2%, e foi o menor desde o primeiro trimestre de 2003. O dado refere-se à primeira estimativa de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do período entre julho e setembro.
Outro número importante divulgado ontem junto com o PIB foi o índice de preços para gastos de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), que subiu 2,5% no terceiro trimestre. Entre abril e junho, o indicador havia apurado alta de 4%. A medida de núcleo do PCE - que exclui os preços de alimentos e energia - subiu 2,3% no terceiro trimestre, ante uma alta de 2,7% no segundo trimestre.
Segundo analistas, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) observa esse indicador de perto porque reflete adequadamente o custo de vida dos americanos. Os especialistas dizem que o Fed tem uma 'zona de conforto' para o PCE, que ficaria entre 1% e 2% ao ano.
Às vésperas das eleições legislativas de 7 de novembro, o governo do presidente George W. Bush apressou-se em explicar que os dados do terceiro trimestre não indicam que a economia se encontra numa espiral descendente. Segundo as autoridades, mostram apenas que o PIB está se movendo num ritmo menor, mas mais sustentável, de crescimento. 'Sinto-me bem com essa transição econômica, de um ritmo insustentável para um ritmo mais sustentável' disse o secretário do Tesouro (equivalente no Brasil ao ministro da Fazenda), Henry Henry Paulson.
O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse que 'todos esperavam por isso'. 'Houve uma combinação de elevados preços de energia e de aumento das taxas de juros.' Em compensação, afirmou, 'se olharem os prognósticos, verão que existe confiança em que a economia continuará se recuperando'.
Políticos democratas expressaram preocupação com a desaceleração da economia, num momento em que os consumidores enfrentam problemas com a inflação. 'Uma vez mais, a política econômica de Bush está indo na direção errada', disse a deputada Carolyn Maloney.
No mercado financeiro, alguns analistas mostraram-se preocupados com o fraco desempenho da economia americana no período. 'Uma expansão inferior a 2% é certamente uma surpresa negativa e sugere que a economia está esfriando mais rapidamente do que foi antecipado', observou Michael Woolfolk, estrategista do Bank of New York.
O relatório do governo mostrou uma surpreendente contração anual de 17,4% nos gastos dedicados às casas novas, a maior queda dos últimos 15 anos e meio. Além disso, o crescimento do gasto empresarial com estoques se reduziu a um valor de US$ 50,7 milhões.
IMPORTAÇÃO
O valor dos bens importados acelerou-se fortemente no período, a uma taxa anual de 7,8% no terceiro trimestre, mais de três vezes o incremento de 1,4% do período de abril a junho.
Os dados também mostraram que o investimento empresarial manteve-se saudável e os consumidores intensificaram o volume de gastos, o que apóia as previsões de que a economia tem vigor suficiente para manter o crescimento, ainda que a taxas mais moderadas.
O investimento não residencial, que mede o gasto empresarial, subiu a uma taxa anualizada de 8,6% no terceiro trimestre, quase duas vezes mais do que os 4,4% do período abril-junho. O gasto do consumidor, que representa quase dois terços da atividade econômica americana, subiu 3,1%, acima dos 2,6% do trimestre anterior.