Título: Democratas avançam após escândalo
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Fonte: O Estado de São Paulo, 07/10/2006, Internacional, p. A34

Duas pesquisas divulgadas ontem nos EUA confirmam o maior temor dos republicanos nos últimos dias: o escândalo que envolve o deputado pela Flórida Mark Foley deve ter conseqüências devastadoras para o partido nas eleições legislativas de 7 de novembro. A pesquisa da revista Time indica que 80% dos 1.002 entrevistados estão informados sobre o escândalo e 25% deles disseram que o caso tornava mais remota a possibilidade de que dêem seu voto a um candidato republicano. Segundo a mesma sondagem, 54% disseram que votarão em candidatos democratas, enquanto 39% pretendiam votar nos republicanos. A intenção de voto nos democratas subiu 11 pontos porcentuais desde a última pesquisa Time, em junho.

Outra pesquisa, realizada pelo instituto Gallup para o jornal USA Today, mostra que os democratas estão perto do objetivo de conquistar cadeiras hoje ocupadas por republicanos no Senado em seis Estados-chave. Com isso, a oposição democrata obteria o controle no Senado.

Mark Foley renunciou no dia 29, depois da revelação de que enviava mensagens eletrônicas obscenas a menores que trabalhavam como estagiários na Câmara dos Representantes. Eleito com a promessa de combater a pedofilia, Foley declarou, após a revelação, que é homossexual e enviou as mensagens quando estava sob efeito de bebidas alcoólicas.

O escândalo atingiu em cheio também o presidente da Câmara, Dennis Hastert, a quem a oposição acusa de ter acobertado Foley, apesar de ter conhecimento de sua conduta havia dois anos. Na quinta-feira, Hastert assumiu, na condição de presidente da Casa, a responsabilidade final pelo escândalo, mas reiterou que não renunciaria. Seu discurso, no entanto, não deixou claro se ele conhecia ou não o hábito de Foley de enviar mensagens pornográficas a menores.

Na quinta-feira à noite, Hastert anunciou ter recebido um telefonema de apoio do presidente americano, George W. Bush. Na véspera, Bush qualificou Hastert de 'um mestre e um grande líder'.

Nas eleições de novembro, estarão em jogo 33 das 100 cadeiras do Senado. Dessas, 17 são hoje ocupadas por democratas e 15 por republicanos. Uma pertence ao senador independente Jim Jeffords. Para tomar o controle da Casa, a oposição precisa manter suas cadeiras e tomar seis dos republicanos. No caso da Câmara, onde estarão em jogo todas as 435 vagas, os democratas precisam tirar 15 cadeiras dos adversários republicanos.