Título: Em Boituva, surgem 500 vagas todos os meses
Autor: Marcelo Rehder
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/11/2006, Economia, p. B5
O sorriso voltou ao rosto do supervisor de produção Wladimir Batista Paulino, de 31 anos, morador de Boituva, região de Sorocaba, a 115 quilômetros de São Paulo. Depois de 6 meses desempregado, ele foi admitido no dia 15 pela Nathan Química, pequena indústria da cidade.
Melhor que a volta ao emprego com carteira assinada, foi o supervisor ganhar a função de encarregado geral de produção. ¿Eu não preenchia todas as exigências para o cargo, mas fui muito bem na entrevista e fiquei com a vaga.¿ Casado, pai de duas filhas, Paulino conta que o período de desemprego deveu-se à falta de opções para a sua qualificação. ¿Tive outras propostas, mas preferi escolher bem.¿
Com 40.129 habitantes, Boituva é uma das cidades do interior de São Paulo com população de até 50 mil que mais criam empregos com carteira assinada, segundo pesquisa com base na Relação Anual de Informação Sociais (Rais), do Ministério da Previdência. De 1999 a 2005, o número de empregados registrados saltou de 9 mil para 15 mil.
A cidade, localizada às margens da Rodovia Castelo Branco, investiu forte na atração de empresas e colhe resultados. Nos últimos anos, a abertura de vagas foi mais acelerada. Somente através do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), ligado à Secretaria Estadual e ao Ministério do Trabalho, são feitas mais de 100 colocações por mês.
¿Considerando as outras formas de contratação, inclusive através das agências, calculamos que a cidade emprega cerca de 500 pessoas por mês¿, diz o diretor do PAT local, Benedito Roberto Goneli.
O número não é acumulativo, pois não considera as demissões. Mesmo assim, indica o dinamismo de uma cidade ainda considerada pequena, que cresce a uma taxa anual de 3,99%, quase o dobro da média estadual. São 136 indústrias e 963 estabelecimentos comerciais, boa parte de instalação recente, como a de Paulino, que fornece insumos para produtos de limpeza.
¿Se a burocracia e a carga tributária fossem menores, teria mais 60 funcionários¿, diz o dono da Nathan, Davilson Thomaz. Segundo Goneli, no passado a prefeitura doou terrenos para atrair indústrias. Hoje, a procura é tão grande que os espaços nos três distritos industriais já foram preenchidos. Um novo distrito está sendo projetado.
A prefeitura mantém um plano de incentivos que inclui isenção progressiva de impostos com base no número de empregos. O PAT de Boituva atende a mais de 2 mil pessoas por mês e é um dos mais movimentados da região. ¿Em termos de colocação, nosso posto praticamente se equipara ao de Sorocaba, cidade muito maior¿, afirma Goneli.
O desemprego, cujo índice é de 4,95%, só não é ainda menor por causa da migração. A vendedora Ana Paula da Silva, de 26 anos, de São Paulo, nem precisou ir até Boituva para conseguir emprego na Santiago Fashion, uma das principais lojas da cidade. Ela se cadastrou em um Poupatempo da capital e foi chamada há duas semanas.
¿Minha família é daqui e, como tenho uma filha de 4 anos, queria me mudar para o interior.¿ Ela, a filha e o marido, o vendedor Aloísio, estão provisoriamente na casa de parentes. O marido, que é autônomo na capital, já começou a procurar emprego em Boituva.