Título: Paralisação contra Evo tem adesão parcial
Autor: Roberto Lameirinhas
Fonte: O Estado de São Paulo, 02/12/2006, Internacional, p. A26

A paralisação convocada pela oposição boliviana para pressionar o partido do presidente Evo Morales afetou apenas quatro Departamentos (Estados) do país. Apesar da convocação de cinco governadores e de líderes cívicos de oito dos nove Departamentos, somente Santa Cruz, Beni, Tarija e, em menor grau, Cochabamba aderiram parcialmente à manifestação de ontem.

A oposição protesta contra a imposição, pelo Movimento ao Socialismo (MAS), de que os artigos nova Constituição sejam votados por maioria simples na Assembléia Constituinte. O MAS controla 54% dos votos da Constituinte, e a manobra foi caracterizada como golpista, pois contraria a Lei Convocatória, que determina maioria de dois terços para cada artigo.

Os maiores protestos foram em Santa Cruz, onde manifestantes ordenaram o fechamento de lojas e restaurantes. ¿A greve é total¿, garantiu o presidente do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, Germán Antelo. Já o governo atribuiu a paralisação à intimidação. ¿Mais uma vez se obriga que a população não trabalhe, com vandalismo, violência e amedrontamento¿, disse o porta-voz presidencial, Alex Contreras.

Segundo a ministra de Interior, Alicia Muñoz, em La Paz, Potosí, Oruro, Pando, Chuquisaca e Cochabamba, a situação era de ¿absoluta normalidade¿. Em Santa Cruz, Beni e Tarija havia ¿relativa atividade¿.

Além da paralisação de ontem, cerca de 300 políticos, líderes estudantis e sindicalistas fazem greve de fome, contra a posição do MAS na Constituinte. A oposição ameaça uma greve geral a partir do dia 4. No mesmo dia, o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, prometeu iniciar uma greve de fome junto com líderes civis de seu Estado.

A aliança Poder Democrático e Social (Podemos) realiza também um bloqueio no Senado, após retirar sua bancada - 13 dos 27 senadores da Casa. Na terça-feira, o MAS conseguiu quebrar a paralisação, com auxílio de dois senadores do Podemos e um da Unidade Nacional, e votou a lei de terras, que amplia o poder do governo para realizar a reforma agrária. Seis governadores romperam com Evo, após ele ter enviado um projeto à Câmara para fiscalizá-los.