Título: Brasil pode triplicar reservas de gás
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/08/2006, Economia, p. B6

O Brasil pode triplicar suas reservas de gás natural, atualmente em 320 bilhões de metros cúbicos, caso a Petrobrás confirme descobertas feitas recentemente, informou ontem o diretor de gás e energia da estatal, Ildo Sauer. "Com outros recursos já descobertos, podemos chegar a algo entre 820 bilhões e 1 trilhão de metros cúbicos", afirmou o executivo, durante palestra no 11º Congresso Brasileiro de Energia.

Sauer explicou que os volumes adicionais ainda não foram declarados como reservas provadas porque não atendem às condições dos órgãos reguladores, como a existência de mercado ou de infra-estrutura de distribuição. "Além disso, há uma série de blocos em exploração que podem conter novas reservas", completou Sauer, respondendo a uma pergunta sobre a curta vida útil das atuais reservas brasileiras, que durariam menos de dez anos caso as previsões de consumo se concretizem.

A confirmação do novo volume de reservas depende de outras análises nos locais, mas nas contas de Sauer, elas garantiriam o abastecimento do País por mais de 30 anos, contando com o consumo de 121 milhões de m3 por dia projetado para 2010. Segundo o planejamento da empresa, esse volume será abastecido por três fontes: 71 milhões de m3 serão produzidos no Brasil, 30 milhões virão da Bolívia e os 20 milhões restantes, importados sob a forma de gás natural liquefeito (GNL).

A estatal planeja investimentos de US$ 22 bilhões até 2011. Sauer disse que a empresa terá de rever sua política de preços, para acomodar os novos custos de produção. Segundo ele, o gás natural é vendido no Brasil a valor equivalente a US$ 30 por barril de petróleo, abaixo do preço de combustíveis como óleo combustível e diesel.

O executivo evitou falar em aumento de preços, mas disse que os contratos serão fechados à luz do novo orçamento. "Para recuperar os investimentos, os preços terão de ser adaptados à nova realidade." As primeiras distribuidoras a terem contratos repactuados ficam no Nordeste, onde há várias com contratos vencidos.

BOLÍVIA A Petrobrás rebateu ontem, em nota, acusações de que esteja impondo obstáculos à nacionalização do petróleo e do gás na Bolívia, feitas pelo ministro dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada. Segundo o texto, as reuniões foram "interrompidas unilateralmente pelos bolivianos" e a Petrobrás está à disposição para reiniciar as conversas. A estatal disse que pretende seguir o decreto, mas lembra que "respeitar as normas vigentes também significa preservar seus legítimos direitos e os marcos legais a que está submetida".