Título: Lembo descarta ajuda à Zerbini
Autor: Lopes, Adriana Dias
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/11/2006, Vida&, p. A32
O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, deixou claro ontem que não vai oferecer qualquer ajuda à Fundação Zerbini, mantenedora do Instituto do Coração (Incor) que hoje acumula uma dívida de R$ 250 milhões. ¿O Incor é nosso (do Estado) e vamos preservá-lo. Mas quem tem de resolver o problema da Zerbini é o governo federal. Não temos nada a ver com a dívida¿, afirmou.
O Incor é uma instituição estadual, pública. A Zerbini é privada e serviria para ¿turbinar¿ o instituto com complementações de dinheiro. Com a dívida, a situação se inverteu. É a verba do Incor que paga os juros da Zerbini.
Lembo tem amanhã, às 9h30, encontro com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A reunião deveria ter sido ontem, mas foi adiada por causa da apresentação do pacote fiscal. ¿Minha expectativa é mínima com esse encontro. Não posso nem oferecer o agente financeiro (fiador) para a dívida da Zerbini. A Nossa Caixa não tem a menor condição de fazer a intermediação de valores altos.¿
A diretoria do Incor tenta conseguir um empréstimo com o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) de R$ 120 milhões para tomar medidas urgentes no Incor, como honrar salários e pagar fornecedores, mas está com dificuldades para conseguir um fiador.
Desde maio, o Estado passou a injetar no Incor cerca de R$ 4 milhões por mês a mais, além dos R$ 12,5 milhões regulares. ¿Já pagávamos parte dos salários. Desde maio, assumimos os medicamentos e os equipamentos¿, diz Barradas Barata, secretário da Saúde do Estado.
Segundo o diretor executivo do Incor, David Uip, o orçamento do instituto é de R$ 300 milhões. Do Estado, via Hospital das Clínicas, são cerca de R$ 150 milhões. ¿Neste ano ainda recebemos R$ 50 milhões extra-orçamentários do Estado para comprar remédios e materiais¿, diz Uip. ¿Mas, só de juros da dívida da Zerbini, pagamos R$ 90 milhões.¿
FIM DO PRAZO
No domingo, o presidente Lula havia dado 48 horas para que Mantega e seu colega da Saúde, Agenor Álvares, achassem soluções. Terminado o prazo, pouco se avançou. Nos últimos dois dias, o Ministério da Saúde e o Incor fizeram duas reuniões para acertar detalhes de um convênio, de R$ 20 milhões, destinado à manutenção e custeio da instituição. Até as 19 horas de ontem, o ministério ainda não havia nem recebido do Incor o pedido formal do projeto.