Título: Massa salarial cresce 8% em 2005
Autor: Sobral, Isabel
Fonte: O Estado de São Paulo, 28/09/2006, Economia, p. B5

A massa de salários pagos por empresas e governos no País teve crescimento real de 8% em 2005 em relação a 2004, embora tenha sido criado praticamente o mesmo número de empregos com carteira assinada. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgada ontem pelo Ministério do Trabalho, no ano passado houve 1,831 milhão mais contratações que demissões, o segundo melhor resultado da série histórica do estudo iniciada em 1985. O recorde foi em 2004, com a criação de 1,863 milhão de novas vagas formais.

Para o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o aumento da massa salarial foi 'razoável' e pode ser explicado pela elevação do número total de trabalhadores empregados, que cresceu 5,58% em 2005, chegando a 33,2 milhões. Além disso, no ano passado houve aumento de 2,14% no valor dos salários médios. Os trabalhadores passaram a receber na média R$ 1.135,35, ante R$ 1.112,06 no ano anterior. Os setores que mais se destacaram nas contratações foram serviços (609,5 mil), administração pública nos três níveis de governo (444,1 mil), comércio (417,9 mil) e indústria (206,6 mil). A Rais é uma espécie de censo do mercado formal de trabalho e usa informações dos empregadores da iniciativa privada e setor público.

Sobre o ano passado, 2,724 milhões de estabelecimentos mandaram dados, o que representou 3,7% a mais do que no ano anterior. Marinho disse que um retrato positivo do mercado formal decorre de crescimento econômico.

Entre 2003 e 2005, segundo ele, foram abertas 7,6 milhões de ocupações, se forem considerados os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), que inclui atividades informais. O ministro aposta que esse número chegará a 8,5 milhões até o fim de 2006.

PERFIL

Apesar de o rendimento médio dos homens ter se mantido à frente do das mulheres, a diferença caiu um pouco em 2005. O salário médio das mulheres teve aumento real de 2,95% ante um ganho real de 1,8% no salário dos homens. 'Isso se explica principalmente pelo maior acesso das mulheres a cargos de chefia', afirmou Marinho.

Ainda assim, as trabalhadoras ganharam em 2005 o equivalente a 82,1% do salário dos homens. No ano anterior, a relação era de 81,2%. A maior diferença entre homens e mulheres aparece nos que têm o maior grau de instrução. Com nível superior completo, por exemplo, a mulher recebe 56,9% da remuneração masculina.

Os adolescentes entre 16 e 17 anos continuaram tendo a menor oferta de trabalho com carteira assinada, tendo sido criadas apenas 14 mil vagas em 2005.

O maior número de contratações foi na faixa entre 40 e 49 anos. Foram criados nesse segmento 456,1 mil postos. As grandes empresas, com mais de mil empregados, foram as que mais admitiram (632 mil).

Dos 444,1 novos empregos formais na administração pública, 337 mil foram criadas pelos municípios, informou Marinho. As contratações foram feitas tanto por concurso (regime estatutário) quanto com carteira assinada (regime celetista).