Título: Inadimplência recua em outubro
Autor: Freire, Gustavo
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/11/2006, Economia, p. B7

Após três meses de alta, a taxa de inadimplência das operações de crédito com taxa de juros livremente pactuadas cedeu e recuou de 5,1% em setembro para 5% em outubro. Mesmo modesta, a queda foi interpretada pelo chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, como um indicador de que o crédito bancário poderá crescer em ritmo mais acelerado neste fim de ano. 'As pessoas estão procurando liquidar os créditos em atraso com a intenção de aumentar a capacidade de fazer novos empréstimos no fim do ano (período marcado pelo crescimento sazonal do consumo)', avaliou.

Esse movimento de quitação, segundo ele, pode ter sido impulsionado pela antecipação da primeira parcela do 13º salário aos aposentados do INSS, em setembro. 'Isto certamente ajudou na queda da inadimplência em outubro.' Apesar de apostar no crescimento do crédito, Lopes acha pouco provável que os empréstimos bancários superem a marca dos 34% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2006. Em outubro, as operações de crédito em relação ao PIB subiram de 32,9% para 33,1%, maior porcentual desde os 33,2% de junho de 1996.

O aumento do crédito, de acordo com Lopes, tem sido puxado pelos empréstimos com desconto em folha e pelos financiamentos para a compra de automóveis. Com garantias mais sólidas, as duas modalidades têm juros mais baixos. Em outubro, a taxa média de juros dos empréstimos consignados atingiu 34,4% ao ano, nível mais baixo desde o início da série histórica do BC, em janeiro de 2004. Para a compra de veículos, a taxa também recuou ao seu ponto mais baixo desde o início da série, em 1994, e ficou em 32,1% ao ano. No crediário normal, as taxas recuaram 0,3 ponto, para 58,6% ao ano.

Mais barato, o crédito com desconto em folha já acumulava em 12 meses até outubro expansão de 49,7%, em R$ 45,680 bilhões. Essa mesma modalidade de empréstimo bancário, de acordo com Lopes, ajudou a elevar a participação das operações de crédito de R$ 5 mil e R$ 50 mil na carteira total de empréstimos dos bancos, de 42,2% em dezembro de 2004 para 46,9% no fim do mês passado. Em sentido inverso, a parte do crédito destinada aos tomadores de até R$ 5 mil foi reduzida, no mesmo período, de 39% para 35,5% do total. Os dados indicam que a expansão do crédito tem sido focada na população de renda mais alta.

Pelos dados do BC, o volume de crédito continuou a crescer em novembro. No caso das operações do chamado segmento livre (exclui as linhas de crédito direcionadas), a alta foi de 1,7% até o dia 10. O ritmo de aumento já é maior que o de todo mês de outubro, quando esta modalidade de crédito cresceu 1,3% e atingiu os R$ 396,4 bilhões (22,6% do PIB).