Título: Na TV, Lula pede união nacional
Autor: Domingos, João
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/11/2006, Nacional, p. A10

Em pronunciamento em cadeia de TV ontem à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou os partidos de oposição e a sociedade a unir o Brasil em torno de uma agenda comum de temas de interesse geral. 'É um chamamento maduro e sincero feito por um presidente que está saindo de uma vitória expressiva nas urnas, que conta com o apoio majoritário dos governadores eleitos e que terá uma base sólida no Congresso.'

O presidente disse que já tem experiência suficiente para saber que para fazer as coisas com a velocidade que o Brasil necessita é preciso contar com o empenho e a boa vontade de amplos setores da vida nacional, entre eles a oposição. 'Nada vai mudar meus ideais e minhas convicções. Sei que o mesmo ocorre com os meus opositores. É esta diversidade de posições que enriquece a democracia. Mas isso não pode impedir que avancemos nos grandes temas de interesse coletivo.'

Em seguida, citou um exemplo de algo que precisa ser feito pelos dois lados. 'É preciso agilizar a votação de matérias importantes que já estão no Congresso, como o Fundo Nacional de Educação Básica (Fundeb), a lei geral da micro e pequena empresa e a reforma tributária que vai tornar mais justa a cobrança de tributos e reforçar o equilíbrio federativo.'

O presidente disse ainda que é necessário, igualmente, criar um clima de profunda responsabilidade republicana para a discussão e votação de reformas importantes, a começar pela reforma política. 'É preciso, também, a união das forças regionais em favor de projetos de desenvolvimento já em curso e que trarão progresso para todos os Estados do País.'

Lula disse que as eleições de domingo foram as mais transparentes e democráticas da história. 'E isso não se deu por acaso. Ocorreu por causa do amadurecimento de nossas instituições, da postura dos candidatos e, muito especialmente, da ação e vigilância do nosso povo.' O presidente lembrou que algumas pessoas afirmavam que a disputa presidencial iria dividir o Brasil - 'e isso não ocorreu'. Para ele, a exposição franca dos problemas mostrou que ainda existem brasis profundamente desiguais. 'E o quanto é urgente e necessário que as desigualdades sociais e regionais diminuam', continuou.

No pronunciamento de 6 minutos e 10 segundos, Lula disse ainda que o Brasil tem uma enorme dívida social a resgatar, um grande atraso político a vencer e questões éticas a discutir e superar. 'No que depender de mim, continuarei empenhado em que os órgãos de investigação e da Justiça apurem todas as denúncias de corrupção e que os verdadeiros culpados sejam punidos'.

Disse que pretende continuar fazendo um governo que conjugue uma política econômica correta e uma forte sensibilidade social. E afirmou que o Brasil tem todas as condições para crescer mais rápido.