Título: Especialista prevê novo conflito entre os países
Autor: Brito, Agnaldo
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/11/2006, Economia, p. B4
No início do ano, autoridades bolivianas do setor de petróleo e gás pediram à Petrobrás a redução do poder calorífico do gás exportado para o Brasil. Esse foi o primeiro passo para abrir espaço para um projeto petroquímico no país. A estatal brasileira negou o pedido. O anúncio de que a construção da unidade começa agora em novembro é a demonstração de que a Bolívia vai impor nova mudança de contrato.
Isso porque, para construir a própria unidade separadora de líquidos, em Santa Cruz de la Sierra, a Bolívia terá de mudar o contrato de exportação para o Brasil. Pelo acordo, a YPFB é obrigada a vender gás natural com o mínimo de 1.033 BTUs por pés cúbicos (medida técnica que avalia a capacidade do gás de gerar calor). A questão é que este gás apenas atinge esse poder calorífico se as frações de etano, propano e butano não forem retiradas.
Se YPFB e PDVSA extraírem essas moléculas, o poder calorífico será reduzido para perto de 960 BTUs por pés cúbicos, abaixo da especificação prevista em contrato. Se isso ocorrer, o que sobra no combustível é o metano, que atende a necessidade do consumidor, mas impõe à Petrobrás a perda de um projeto petroquímico. 'O avanço do projeto PDVSA-YPFB implica a revisão do contrato de compra de gás. Se o plano é avançar na industrialização, esse será um novo conflito', diz Carlos Miranda, especialista no setor.