Título: Petrobrás não aceita negociar reajuste no preço do gás
Autor: Brito, Agnaldo
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/11/2006, Economia, p. B4
A Petrobrás mantém a posição de não aceitar reajustes no gás importado da Bolívia, reforçaram ontem o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, e o diretor de Gás e Energia, Ildo Sauer. 'A Petrobrás considera que não há necessidade de mexer no preço do contrato de exportação. É um preço que acompanha uma cesta de óleos combustíveis e está em linha com o mercado internacional', afirmou Gabrielli.
As negociações sobre preços do gás serão retomadas na segunda-feira. No dia 11, vence o terceiro prazo estabelecido entre as partes para um consenso. Segundo Sauer, nada impede que seja prorrogado novamente, mas ele prefere não avaliar se esse caminho será adotado. 'Eles (os bolivianos) estão apresentando seus argumentos e nós estamos apresentando os nossos. Na semana que vem, voltamos a nos reunir.'
O pedido de revisão de preço, atualmente pouco abaixo de US$ 4 por milhão de BTU, foi feito pela estatal boliviana YPFB. Por isso, é a Bolívia quem decide se leva o caso à arbitragem internacional. No início da década, a Petrobrás pediu redução, mas desistiu da intervenção externa mesmo não chegando a consenso após dois anos. Segundo Gabrielli, as negociações agora ocorrem nas 'condições normais', previstas pelo contrato.
Os bolivianos já falaram em elevar os preços para até US$ 7,50 por milhão de BTU, mas a tendência é que se contentem com valor próximo ao negociado com a Argentina, de US$ 5. As duas negociações, porém, são diferentes, já que com Buenos Aires a Bolívia fez um novo contrato, pois o atual vence no fim do ano. Serão até 27,7 milhões de metros cúbicos por dia. O contrato com o Brasil vence em 2019 e prevê a venda de até 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A próxima rodada de negociações será no Rio.