Título: Nacionalização da mineração é adiada para 2007
Autor: Brito, Agnaldo
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/11/2006, Economia, p. B4

A nacionalização do setor de mineração na Bolívia, anunciada para hoje, foi adiada para o ano que vem porque o governo Evo Morales decidiu se concentrar na consolidação dos hidrocarbonetos. 'Este ano, queremos consolidar a nacionalização dos hidrocarbonetos. Temos todo um pacote para mineração, mas não queremos atropelar as coisas, mas ser responsáveis', disse Evo à imprensa estrangeira.

Segundo ele, o Estado não tem 'recursos para lançar a nacionalização da mineração'. 'Reconhecemos nossa fraqueza', disse Evo, ao comentar que avançará 'passo a passo' no fortalecimento da mineração e na perspectiva de modernizar a empresa metalúrgica Vinto com US$ 10 milhões. 'Em vez de processar nosso estanho no Peru, vamos pedir que isso seja feito em Vinto', disse Evo, se referindo à empresa controlada pela suíça Glencore.

A Glencore é a mesma empresa que em 2005 comprou a Minera del Sur (Comsur) do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada (1993-1997 e 2002-2003). Evo assegurou, na coletiva anterior, que prevê nacionalizar as propriedades que pertenceram ao ex-presidente, hoje refugiado nos Estados Unidos para não ser julgado. A Glencore, por intermédio da filial Sinchi Wayra, pagou ao ex-presidente US$ 200 milhões por 62% das ações da Comsur e US$ 90 milhões pela Vinto.

A Embaixada da Suíça em La Paz afirmou na segunda-feira que confia que a nacionalização das minas será feita 'no marco de suas obrigações internacionais e compromissos contratuais'.

Segundo o ministro de Mineração da Bolívia, Guillermo Dalence, o decreto da nacionalização continua em estudo porque deve ser 'tecnicamente bem trabalhado e economicamente bem sustentado'. O anúncio da nacionalização produziu tensão em algumas das jazidas que as cooperativas de mineração controlam devido ao risco de perder trabalho.

O governo ratificou seu plano de fortalecer a estatal Corporação Mineira da Bolívia com a contratação imediata de 4 mil cooperativistas para a mina Huanuni, de estanho, situada no departamento de Oruro.

Dois grupos rivais de mineiros, cooperativistas e estatais se enfrentaram em 5 e 6 outubro pelo controle da jazida. O conflito terminou com 16 mortos.