Título: MST acelera agenda e faz 6ª invasão pós-eleição
Autor: Assunção, Moacir
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/11/2006, Nacional, p. A7

Mesmo antes do início da chamada ¿agenda da pressão¿, em que os movimentos sociais vão começar a pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para levá-lo a tomar decisões mais à esquerda no segundo mandato, o Movimento dos Sem-Terra (MST) voltou a invadir terras em várias áreas do Estado de São Paulo. Ontem, entraram na Fazenda Cafeeira, em Castilho - a nona ocupação do MST e de seus simpatizantes desde o primeiro turno das eleições e a sexta após o segundo turno. João Paulo Rodrigues, membro da coordenação nacional do movimento, havia avisado que as invasões seriam mantidas, independentemente das negociações.

¿O MST vai continuar ocupando latifúndios improdutivos, mas não podemos só continuar ocupando terras e discutindo a reforma agrária. É preciso ter propostas políticas para além disso¿, afirmou o líder dos sem-terra durante a reunião da Coordenação Nacional dos Movimentos Sociais, anteontem, em Guararema, no interior de São Paulo. No evento, o MST e outras entidades discutiram formas de pressionar o governo a fazer mudanças, principalmente na política econômica.

AS FAZENDAS A Fazenda Cafeeira, de 1.944 hectares, em Castilho, na divisa com Mato Grosso do Sul, foi invadida por cerca de 700 famílias ligadas ao MST e a sindicatos da região. Os sem-terra protestam contra a demora da Justiça em liberar a área para a reforma agrária. O governo já depositou R$ 15,6 milhões em 2005 para a desapropriação, que está em processo desde 2001, mas as disputas judiciais travam os trabalhos.

Na sexta-feira, um grupo de 80 famílias, também filiado ao MST, invadiu a Fazenda Lutélia, em Garça (SP), na região de Marília. O grupo, que se autodenomina ¿Margarida Maria Alves¿ - uma militante paraibana morta em confronto pela posse de terras -, afirmou que a área já foi desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para assentamento e, por esse motivo, está antecipando a medida a ser tomada pelo governo.

Em Sorocaba, na quinta, uma fazenda produtiva de criação de gado foi invadida por um grupo dissidente do MST, composto por dez famílias, que saiu de acampamento em Mairinque. A Fazenda Cachoeira, na altura do km 82 da Rodovia Raposo Tavares, fica no distrito de Brigadeiro Tobias. O MST mantém três propriedades invadidas no Pontal do Paranapanema.

Cerca de 70 militantes também ocupam, desde terça da semana passada, a Fazenda do Aprumado, de 500 hectares, em Rancharia, e outros 100 sem-terra estão na Fazenda Porto Maria, de 1.565 hectares, em Rosana. A Fazenda São Mateus, localizada em João Ramalho, foi invadida no mesmo dia.

O MST retomou as ações no Pontal no fim de outubro depois de quatro meses sem nenhuma iniciativa na região, o que foi visto pela União Democrática Ruralista (UDR) como uma trégua , com a intenção de não prejudicar a campanha do presidente Lula. Segundo a Assessoria de Imprensa do MST, as fazendas invadidas no Pontal foram adquiridas por órgãos ligados à reforma agrária, mas não houve a destinação das terras.

Foram despejadas, no início da semana passada, 300 famílias que invadiram as fazendas São Luiz, em Presidente Prudente; Santa Cruz, em Mirante do Paranapanema, e São José, em Teodoro Sampaio, além de uma área da Rede Ferroviária Federal.