Título: Democratas querem início da retirada de tropas do Iraque entre 4 e 6 meses
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Fonte: O Estado de São Paulo, 13/11/2006, Internacional, p. A8
Democratas que ocuparão postos-chave no recém-eleito Congresso americano anunciaram ontem que irão pressionar para que a retirada de soldados dos Estados Unidos do Iraque comece dentro de apenas alguns meses.
'Bush precisa dizer para os iraquianos que não iremos ficar lá para sempre e que, na realidade, precisamos iniciar uma retirada gradual das forças americanas dentro de 4 a 6 meses', afirmou, em uma entrevista à rede de televisão ABC, o senador democrata Carl Levin, que deve presidir o comitê sobre as Forças Armadas no Senado.
No mesmo programa, o senador Joseph Biden, que estará à frente do Comitê de Relações Exteriores, disse apoiar o projeto de Levin para a retirada. Harry Reid, novo líder da bancada democrata no Senado, concordou que é necessário começar a trazer os soldados americanos de volta para casa 'dentro de alguns meses', mas se recusou a definir qualquer data.
Os democratas conquistaram a maioria no Congresso americano nas eleições parlamentares da última terça-feira, prometendo mudar os rumos da guerra no Iraque. A votação foi encarada pela população como um referendo sobre o governo Bush e o conflito. A derrota republicana obrigou a Casa Branca a começar a rever suas estratégias para o Iraque.
A substituição do secretário da Defesa Donald Rumsfeld, um dos principais arquitetos da guerra, pelo pragmático Robert Gates, ex-diretor da CIA, foi um sinal de que Washington está mesmo disposto a fazer algumas mudanças.
Até agora, porém, Bush tem insistido que as tropa s dos EUA não devem deixar o Iraque até que as forças iraquianas estejam preparadas para garantir a segurança do país.
O chefe do gabinete do presidente, Josh Bolten, reiterou ontem que, apesar de a Casa Branca estar aberta a sugestões e críticas, será difícil concordar com um cronograma para a retirada dos soldados.
'Não acho que seremos receptivos à idéia de um calendário para a saída automática das tropas, porque isso poderia ser um desastre para a população iraquiana', explicou Bolten,acrescentando que, apesar de Bush estar interessado em ajustes táticos, 'ele se mantém firme e m seu objetivo final, que é triunfar no Iraque'.
COMISSÃO
Bu sh terá hoje uma reunião com a comissão bipartidária criada pelo Congresso americano para sugerir mudanças nas políticas para o Iraque - o chamado Grupo de Estudos Iraquianos. A comissão, liderada pelo ex-secretário de Estado James Baker e o ex-congressista democrata Lee Hamilton, teve Gates, o novo secretário de Defesa, como um de seus integrantes.
Espera-se que entre as propostas de mudança que ela deve apresentar ao presidente esteja a divisão do Iraque em três regiões com ampla autonomia e uma aproximação com o I rã e a Síria - tradicionais inimigos dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Parte dos políticos democratas e alguns republicanos (entre eles o próprio G ates), acreditam que buscar a colaboração dos países vizinhos é essencial para estabilizar o Iraque.
Questionado sobre qual a receptividade da Casa Branca em relação a esta proposta, Bolten respondeu que nenhuma opção seria descartada. 'Nada está fora da mesa', disse. 'Todas as alternativas levantadas pela comissão serão consideradas.