Título: Poucas térmicas têm contrato
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/11/2006, Economia, p. B6

O diretor de gás e energia da Petrobrás, Ildo Sauer, saiu em defesa da companhia contra as críticas de falta de gás para térmicas, alegando que a estatal tem contratos firmes para fornecer apenas 7 milhões de metros cúbicos para geração elétrica. ¿Não temos a obrigação de fornecer para ninguém sem contrato. Não estamos aqui para fazer caridade, isso é uma empresa capitalista¿, disse o executivo.

Na opinião de Sauer, o Brasil precisa acabar com o ¿mito do gás¿, segundo ele, um conceito errôneo de que o mercado de gás natural é igual ao de energia elétrica. ¿Os dois têm características de rede, mas o gás tem caráter econômico igual ao do petróleo, porque o cliente pode fugir para outros energéticos¿, explicou, ressaltando que no mercado de gás, ao contrário da eletricidade, não há obrigatoriedade de fornecimento apenas porque o consumidor está conectado à rede. ¿Só tem gás quem tem contrato.¿ Em agosto, a Petrobrás entrou no centro das discussões sobre os riscos de racionamento no Brasil, após proprietários de térmicas, incluindo a própria estatal, terem declarado que não tinham gás para entrar em operação. A falta de combustível provocou a intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que pediu ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para reavaliar os níveis de segurança do sistema. Segundo Sauer, além dos 7 milhões de metros cúbicos em contratos firmes, a empresa tem outros 5 milhões de metros cúbicos por dia em contratos flexíveis (que podem ser interrompidos) para as térmicas. O volume é suficiente para gerar 2,4 mil megawatts (MW). A empresa alega que entre agosto e setembro, problemas no Gasbol dificultaram a entrega de gás.