Título: Produção de carros é recorde em 2006
Autor: Silva, Cleide
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/12/2006, Economia, p. B6
A produção da indústria automobilística desacelerou neste fim de ano, por causa de queda do número de veículos exportados, mais ainda assim será recorde, com 2,63 milhões de veículos, 4% a mais que em 2005. As montadoras prevêem superar a marca no próximo ano e produzir 2,73 milhões de unidades, entre carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. O ritmo de crescimento do setor, que desde 2003 manteve média anual de 10,2% cairá para 3,8%.
'Nossa contribuição para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será reduzida', disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb. Nos últimos quatro anos o setor cresceu acima da média da economia, mas o cenário atual aponta para índices próximos ao do PIB daqui para frente.
A indústria trabalha com projeção de 3,5% de crescimento para o PIB em 2007. A desaceleração da produção virá da perda de contratos externos, já que as vendas internas continuarão em alta. Conformada com a manutenção da política cambial, a Anfavea elegeu a desoneração tributária das exportações como prioridade para reivindicações junto ao governo em 2007.
A Anfavea esperava crescimento de 4,5% na produção este ano, mas o porcentual ficou pouco abaixo disso por causa da queda de cerca de 5% nas exportações, que vão chegar a 850 mil unidades este ano e podem cair ainda mais no próximo. Em valores, porém, será mais um recorde do setor, com US$ 12,1 bilhões exportados, resultado, segundo Golfarb, dos reajustes de preços para compensar a perda cambial.
As vendas internas, ao contrário, superaram a previsão da indústria, de crescer 10%, e devem atingir 1,9 milhão de unidades, 11,6% a mais que em 2005.
Com a continuidade da queda dos juros, que permite prestações mais baixas e prazos mais longos nos financiamentos, as vendas devem passar de 2 milhões de unidades em 2007 e superar o recorde de dez anos antes, quando foram comercializados 1,94 milhão de veículos. Pelas contas da Anfavea, a taxa Selic chegará a 12%.
Para o economista Raul Velloso, mesmo com a expectativa de desaceleração, a indústria automobilística continuará crescendo acima da média do País e os juros serão o 'motivador do aumento de compras' de veículos.
A tecnologia flex também deve continuar incentivando as vendas. Em novembro, do total de carros vendidos, 81,4% tinha motor flex.