Título: Petrobrás e YPFB voltam a negociar obras de gasoduto
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 07/12/2006, Economia, p. B10

A Petrobrás e a estatal boliviana YPFB decidiram ontem retomar as discussões sobre a ampliação do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), suspensas desde que a Bolívia nacionalizou o petróleo e o gás. O projeto consta de uma lista de oportunidades conjuntas que serão analisadas pelas duas empresas em um prazo de 120 dias. O preço do gás continuará na pauta, mas deixa de ser discutido de forma isolada.

A reaproximação foi definida ontem, em reunião no escritório da YPFB em Santa Cruz de la Sierra. O encontro foi conduzido pelo presidente da estatal boliviana, Juan Carlos Ortiz, e pelo diretor de Gás e Energia da estatal, Ildo Sauer. Em nota, as empresas informaram que decidiram ampliar as negociações, antes restritas ao preço do gás, incluindo potenciais projetos em conjunto.

Segundo um observador próximo, a idéia é retomar projetos abandonados após o início da crise diplomática e avaliar novas oportunidades de negócios. A avaliação é que o convívio das duas empresas melhorou após a assinatura dos contratos de concessão de campos de petróleo e gás, em novembro.

Entre o projetos antigos que podem voltar à pauta, o mais concreto é a ampliação do Gasbol. O processo foi iniciado duas vezes, mas abortado por motivos diversos: na primeira, no início da década, pela falta de mercado para o gás boliviano; na segunda, a nacionalização. Na última vez, chegou-se a falar em expansão dos atuais 30 milhões de metros cúbicos por dia para até 45 milhões. A Petrobrás, no entanto, pediu 4 milhões adicionais, que poderiam ser transportados sem grandes obras.

Outro projeto suspenso, o complexo petroquímico binacional, também pode voltar à agenda. O empreendimento seria feito em parceria com a Odebrecht, para usar gás boliviano na produção de matérias-primas petroquímicas.

AS TÉRMICAS

A Petrobrás concluiu as obras de recuperação do gasoduto do campo de San Antonio, na Bolívia, e anunciou a regularização das exportações para o Brasil, prejudicadas desde o rompimento da tubulação, em maio. Ontem, representantes da empresa estiveram com o presidente da YPFB, Juan Carlos Ortiz, para tratar do preço do gás. Até o início da noite, ainda não havia definição.

A recuperação desse gasoduto permitirá ao governo calcular quanta energia térmica o sistema elétrico brasileiro terá disponível até 2009. A redução das importações foi um dos motivos apresentados pela Petrobrás para a escassez de combustível para as usinas nos meses de agosto e setembro, situação que motivou uma intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Agora, a estatal se prepara para os testes de disponibilidade nas térmicas, no fim do mês. A partir dessa avaliação, a Aneel vai determinar quantos megawatts poderão ser contabilizados para o cálculo dos preços da energia e do risco de racionamento.