Título: Cabral, Jarbas e Rigotto criticam a voracidade do PMDB por cargos
Autor: Madueño, Denise
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/11/2006, Nacional, p. A4

O governador eleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), criticou ontem a voracidade com que seu partido começa a negociar cargos no ministério do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 'Acho que o PMDB tem que discutir políticas públicas para os próximos quatro anos', disse, classificando como 'inconveniente' a discussão que começa pela definição de postos no primeiro escalão. 'Cabe ao presidente, respaldado pela reeleição, montar a sua equipe sem a inconveniência da pressão dos partidos.'

O senador eleito Jarbas Vasconcelos, ex-governador de Pernambuco, desfez a expectativa de que o PMDB poderia apoiar o governo em bloco. No Recife, deixou claro que não dará suporte ao Planalto automaticamente: 'Não sou PMDB governista, fui eleito pelo campo da oposição.' Jarbas disse saber de ao menos cinco ou seis senadores 'que não aceitam esse caminho', além de governadores, deputados e prefeitos.

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, que perdeu a reeleição, defendeu ontem em Brasília uma coalizão com o PT, mas sem o condicionamento de ganhar cargos no ministério. Para ele, a forma de apoio do PMDB ao governo tem de ser diferente daquela feita no primeiro mandato de Lula: 'A questão dos cargos pode surgir no processo de encaminhamento do presidente, que vai dizer que precisa de tais e tais nomes do PMDB.'

Cabral revelou desejar apenas que a gestão petista seja parceira dos interesses do povo do Rio: 'Acho que a discussão de cargos é inconveniente', reiterou, após se reunir com o governador reeleito de Minas, Aécio Neves (PSDB), em Belo Horizonte.

Jarbas admitiu, porém, que Lula poderá ter sucesso relativo se quiser ampliar o apoio do PMDB governista: 'Geralmente, o pessoal tem uma atração muito grande por cargos.'