Título: PT resiste a ceder espaço para aliados
Autor: Madueño, Denise
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/11/2006, Nacional, p. A4
Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizar que o PT cederá espaço para outros partidos aliados em seu segundo mandato, a bancada petista deixou claro que não aceitará que a legenda fique em segundo plano na divisão de poder no governo de coalizão. Em reunião ontem entre os atuais deputados e os eleitos em outubro, os companheiros de partido do presidente resolveram que disputarão espaço ideológico, político e de governo.
A bancada não concorda com a declaração feita anteontem pelo presidente. 'O PT tem o cargo mais importante do governo, que é o de presidente da República. Já é uma boa representação', disse Lula, após uma cerimônia no Palácio do Planalto . Os parlamentares argumentam, em contraposição, que o partido saiu vitorioso das urnas, com o maior número de votos para a Câmara, elegeu cinco governadores e que, portanto, deve ter influência política e nos rumos da administração.
'O PT deseja ter um protagonismo estratégico no governo Lula', afirmou o líder do partido na Câmara, Henrique Fontana (RS). Apesar de o PMDB ter eleito o maior número de deputados, 89, o PT, com 83, recebeu 13,989 milhões de votos (15,01%). O PMDB teve 13,580 milhões, 14,57% do total de votos das eleições para a Câmara. 'O PT é quem ganhou a eleição. É claro que o governo de Lula é um governo de coalizão, mas o programa eleito para governar é o do PT. Vamos buscar o espaço de quem ganhou a eleição, tanto na Câmara, no Senado e no ministério', reforçou o deputado petista Tarcísio Zimmermann (RS).
MATEMÁTICA
Fontana classificou de especulações as notícias sobre o número de ministérios que serão destinados a cada partido que apoiou a reeleição do presidente Lula. 'Não estou preocupado com as contas de somar e de diminuir. Tenho tranqüilidade que o PT terá um protagonismo importante no governo', disse o deputado.
Ele afirmou ainda que a legenda confia no presidente para conduzir a composição da Esplanada de forma adequada.'Uma formação de ministério não é uma aula de matemática, mas de política', avaliou Fontana.
O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), considera que o seu partido tem todo o direito de discutir políticas de governo e também cargos. 'A bancada do PT tem convicção de que o partido faz bem para o País e que, portanto, faz bem para o governo.'
Sem pressionar diretamente Lula, os petistas declaram que o presidente saberá compor um ministério conciliando os interesses dos aliados. 'O PT não pode ter ansiedade e precisa entender que a ocupação do espaço por si só faz o partido crescer, mas também não pode subestimar a qualidade de sua intervenção', afirmou o deputado paulista reeleito e presidente licenciado do PT, Ricardo Berzoini.
COMANDO DA CÂMARA
A bancada petista demonstrou ainda a disposição de brigar pela presidência da Câmara. Na reunião de ontem, o partido reconheceu o direito de o PMDB - como maior bancada - reivindicar o posto, seguindo a tradição. Entretanto, com a segunda maior bancada na Câmara, o PT está atento ao cargo. Até agora, o cotado é Arlindo Chinaglia.
Desde o começo da semana, o presidente Lula assumiu as negociações para a montagem do ministério e tem mantido conversas com ministros, governadores e parlamentares aliados. Lula tenta administrar as muitas reivindicações para obter maioria no Congresso.