Título: Dono de avião escondeu sociedade com petista
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Fonte: O Estado de São Paulo, 10/11/2006, Nacional, p. A10

A 40 dias de seu fim, a CPI dos Sanguessugas esfriou e corre o risco de terminar melancolicamente, aprovando um relatório final pífio, sem apontar culpados no Executivo pelo esquema de venda superfaturada de ambulâncias. Passadas as eleições e depois de pedir a cassação de 69 deputados e 3 senadores acusados, os integrantes da CPI não escondem sua falta de motivação com os trabalhos e com a investigação sobre o dossiê Vedoin.

'As investigações da Polícia Federal estão bem à frente da apuração da CPI. O que podemos é dar reforço para que elas prossigam. Esse caso do dossiê é um fato complexo, extremamente técnico, e o Congresso não dispõe de recursos para fazer esse trabalho', resumiu o relator da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO). Ele pretende apresentar seu relatório final em 13 de dezembro. Mas antecipa que o texto será basicamente 'propositivo' e se limitará a apresentar 'um retrato dos fatos' e das investigações feitas pela PF. 'Não tem nada de novo, nada de retumbante', disse.

O desinteresse dos integrantes da CPI ficou evidente nos últimos dias, principalmente com o fim das eleições. Seu presidente, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), que não se reelegeu, foi para o exterior em missão oficial. Nem os depoimentos de ex-ministros da Saúde esquentaram os debates.

A oposição nem se deu ao trabalho de ir à CPI atacar o ex-ministro Humberto Costa, apesar de o PT ter levado sua tropa de choque para defendê-lo. O PT também não infernizou o ex-ministro tucano Barjas Negri, que deu um depoimento sem grandes contestações. O de Saraiva Felipe (PMDB) foi totalmente esvaziado. Para os parlamentares, dificilmente será aprovado qualquer novo requerimento.