Título: Emprego sobe 0,2%. Fiesp acha pouco
Autor: Warth, Anne
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/11/2006, Economia, p. B4
O nível de emprego da indústria de São Paulo subiu 0,20% em outubro, na comparação com setembro. Isso significa a criação de 4 mil vagas. Em outubro de 2005, o emprego havia recuado 0,17% ante setembro, o que foi considerado um resultado atípico para o mês.
De janeiro a outubro deste ano, foram abertas 82 mil vagas, equivalente a um aumento de 3,97% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses, o emprego melhorou 1,39%, equivalente a 29 mil vagas. Neste ano, só o mês de agosto mostrou queda no nível de emprego (0,23%).
O diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, estimou que o crescimento do emprego na indústria paulista em 2006 deve ficar em 2%, índice que ele classificou de 'aquietado, morno, para não dizer um pouco frio'.
'Com esse número próximo de zero em outubro, nós já sabemos que o destino da indústria de transformação em 2006 está traçado. Um destino evidentemente ruim, que repete um pouco a história do ano anterior. O ano de 2006 está perdido e deixamos nossas esperanças para 2007', comentou.
PIB REBAIXADO
O diretor da Fiesp informou também as novas projeções da entidade para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Agora, a estimativa foi reduzida para 2,6% ou 2,7%, ante 2,8% no cálculo anterior. O diretor revisou também a previsão de crescimento do PIB industrial para este ano, de 2,2% para 2%.
Segundo Francini, a Fiesp foi uma das primeiras entidades a projetar o crescimento do PIB para abaixo de 3% ao ano. Entretanto, ressaltou ele, o acerto da projeção não traz alegria para a entidade. 'Embora termos previsto um PIB abaixo de 3% neste ano nos traga orgulho, o índice nos traz tristeza porque realmente se confirmou', disse o diretor. 'Mais uma vez, como em 2005, teremos um crescimento pífio, medíocre', acrescentou.
As projeções da Fiesp para o PIB de 2007 serão anunciadas em dezembro. Francini ressaltou que, embora o crescimento de 2006 tenha ficado abaixo do esperado, ainda há esperanças em relação a 2007. Segundo ele, durante a campanha eleitoral os candidatos à Presidência da República tiveram a chance de perceber o quanto a sociedade está cansada de políticas que não promovem o crescimento.
'Existe hoje na sociedade o cansaço em relação à política de não crescimento', afirmou. 'Agora que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia seu segundo mandato, ele vai ter de dar resposta a esse cansaço. O crescimento passa a ser a efetiva prioridade deste segundo mandato, pois coincide com a demanda social.'
Para Francini, outro consenso na sociedade é que os juros estão fora do lugar. 'O Banco Central errou a mão na condução da política de juros. Não se sabe o quanto, mas sabe-se que errou', disse. Ele citou também o câmbio como uma das variáveis que não estão no lugar. Mas, segundo ele, esses fatores devem ser corrigidos em 2007 para que o Brasil atinja um crescimento mais vigoroso.