Título: Construção pode investir R$ 206 bi em quatro anos
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Fonte: O Estado de São Paulo, 08/12/2006, Economia, p. B5

A indústria da construção acredita que é possível investir R$ 206 bilhões em habitação e infra-estrutura nos próximos quatro anos, a maior parte proveniente do setor privado. Para isso, o governo precisaria modificar a legislação que restringe os empréstimos concedidos pela Caixa Econômica Federal, aprovar no Congresso Nacional a lei que regula o saneamento no País e utilizar os recursos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

Esse tributo, cobrado na gasolina, deveria ser gasto em restauração de rodovias, mas acaba retido no caixa do Tesouro Nacional para fazer superávit primário (a economia de recursos para pagar a dívida pública). O plano será apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira.

'É um projeto para o presidente começar o dia 2 de janeiro já fazendo a máquina funcionar', disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. Ele explicou que, para 'destravar' a economia e levar o País a um crescimento econômico em torno de 5%, como quer Lula, será necessário cumprir uma agenda mais complexa, que passa por reformas econômicas. O que a CBIC e a União Nacional da Construção (UNC) estão propondo são medidas mais imediatas.

O plano prevê que, dos R$ 206 bilhões a serem investidos no segundo governo de Lula, R$ 46 bilhões são recursos do Orçamento. Os restantes R$ 160 bilhões seriam do setor privado e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo Simão, o setor privado investirá fortemente se, por exemplo, for aprovada a lei que regula o saneamento básico no País.

Além do saneamento, as habitações populares prometem puxar os investimentos, com R$ 40,8 bilhões.