Título: CUT recolhe assinaturas por voto aberto
Autor: Lopes, Eugênia
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/12/2006, Nacional, p. A6

A CUT iniciou ontem em São Paulo a coleta de assinaturas para que o reajuste dos parlamentares seja definido por votação aberta no Congresso. Além do carro de som, a entidade usou uma banda e dois Papais Noéis para atrair o público na Praça do Patriarca: um alto e gordo simbolizando os vencimentos dos parlamentares e um anão magro representando o reajuste do salário mínimo.

Até o fim da tarde a CUT havia colhido 9,5 mil assinaturas em São Paulo, 10 mil em Brasília e 1,5 mil por e-mail (aumentoabusivo@cutsp.org.br). A estimativa é conseguir 2 milhões de assinaturas até o fim do ano.

Para o presidente nacional da central, Artur Henrique da Silva Santos, a ação pública vale mesmo após o STF barrar o reajuste com liminar. 'A indignação é com os parlamentares, com o Judiciário e demais supersalários. Queremos a sociedade participando das grandes decisões e o abaixo-assinado vai pressionar isso.'

O presidente da CUT paulista, Edilson de Paula Oliveira, considerou 'infeliz' o posicionamento do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), ao defender o reajuste de 90,7% aos congressistas. 'Ele tem uma história política bonita, mas eu o condeno por essa postura. Está mais preocupado em se manter na presidência da Câmara, satisfazendo a vontade de 500 deputados, do que representar 180 milhões de brasileiros.'

Oliveira prometeu intensificar os protestos em 2007, a exemplo do que fazia antes do governo Lula. 'A sociedade está muito apática e parte da culpa é nossa, que não fizemos manifestações como no passado.'