Título: Taxa de investimento é 2ª maior desde 1995
Autor: Dantas, Fernando
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/12/2006, Economia, p. B1
A taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 20,8% no terceiro trimestre de 2006, ante 20,4% do mesmo período de 2005. Foi a maior taxa para o terceiro trimestre desde o início da série, em 1995, perdendo apenas para o mesmo período de 2004, quando foi de 20,9%.
Os técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgaram ontem o PIB do terceiro trimestre em valores, consideram corretas só as comparações da taxa de investimento com iguais períodos de anos anteriores, por causa das diferenças sazonais entre os trimestres.
Para Claudia Dionisio, da coordenação de Contas Nacionais do IBGE, o aumento da taxa de investimentos de 2005 para 2006 é reflexo da redução da taxa básica de juros (Selic), que fechou 2005 em 18% e já caiu para 13,25%. Outro fatores, segundo a economista, foram o aumento das operações de crédito para pessoas jurídicas, a recuperação do setor de construção civil e o aumento das importações de máquinas e equipamentos, influenciado pelo câmbio.
Ela acrescenta que os investimentos cresceram mais aceleradamente em termos nominais (10,6%) que o PIB (9%) no terceiro trimestre deste ano, ante igual período do ano passado.
O IBGE também divulgou a taxa de poupança bruta em relação ao PIB no terceiro trimestre, que ficou em 25,2%, superior aos 24,3% do terceiro trimestre de 2005. Como no caso dos investimentos, a taxa de poupança do terceiro trimestre de 2006 só é inferior - para o mesmo período - à de 2004, que foi de 25,4%, o maior valor atingido na série iniciada em 1995.
'São dados positivos, mas ainda não suficientes para que a economia cresça a 5% de forma sustentada', comentou Eustáquio Reis, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), referindo às taxas de investimento e de poupança. Para Reis, o aumento da poupança está ligado à virada da balança comercial desde 2000, que saiu de déficit para o atual superávit superior a US$ 40 bilhões. 'A sociedade produz mais e exporta, em vez de consumir, o que resulta em poupança', explicou o economista.
Segundo o IBGE, o PIB no terceiro trimestre foi de R$ 542,1 bilhões, acumulando R$ 1,5 trilhão de janeiro a setembro. No mês passado, houve a divulgação da variação do PIB no terceiro trimestre - um crescimento de 0,5% ante o segundo trimestre e de 3,2% ante igual trimestre de 2005. No ano, até setembro, o PIB cresceu 2,5%.