Título: Bernardo: STF jogou água fria na reforma
Autor: Fontes, Cida
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/12/2006, Nacional, p. A4

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem, em Curitiba, onde participou de um encontro do PT regional, que a declaração de inconstitucionalidade da cláusula de barreira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ¿joga um balde de água fria¿ no debate sobre a reforma política. ¿Provavelmente tira grande parte da possibilidade de se fazer a reforma política¿, salientou. ¿Talvez tenhamos que reavaliar nossa estratégia, se vale a pena jogar peso e depois sofrer uma derrota no Supremo, não conseguir avançar¿, afirmou, referindo-se a uma eventual prioridade a ser dada para as mudanças das regras partidárias e eleitorais.

De acordo com Bernardo, a cláusula faria uma modificação no sistema partidário e político brasileiro. Ela se destinava a reduzir o número de partidos - na última eleição, concorreram 29 legendas -, confiando que isso melhoraria o entendimento do eleitor sobre o sistema partidário e facilitaria a avaliação sobre as legendas. ¿Ela foi votada ainda na década passada, com a devida antecedência, mas na hora em que iria entrar em vigor não valeu¿, lamentou. ¿É indicação de que dificilmente conseguiremos avançar.¿

Posicionamento semelhante teve o presidente do PT paranaense e deputado federal eleito, André Vargas. ¿É um verdadeiro absurdo, um retrocesso¿, afirmou. ¿Os partidos de aluguel devem ser banidos da política e a cláusula de barreira promovia isso.¿ Para ele, a reforma política agora fica paralisada. ¿Como discutir fidelidade partidária, se cada pessoa pode formar um partido com critérios muito frágeis?¿, questionou.

As declarações de Vargas destoaram das de representantes do PT nacional, que - por conta da aliança com o PC do B, que seria barrado pela cláusula - preferiram não reclamar da decisão do STF.