Título: Venda de gás pode inibir reajuste
Autor: Goy, Leonardo
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/12/2006, Economia, p. B11

O eventual aumento das importações de gás natural boliviano pelo Brasil pode ser oferecido como alternativa à intenção de La Paz de aumentar o preço do combustível, segundo informou ao Estado uma fonte que acompanha de perto as negociações com a Bolívia. Isso significa que, no lugar do reajuste extraordinário no preço do gás pedido pelos bolivianos, a Petrobrás compraria mais gás do país. 'Mas isso ainda é uma hipótese', ressaltou a fonte.

Esse negociador reforçou que a Petrobrás e a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) devem retomar as negociações - paralisadas no início da crise do gás - para expandir a capacidade do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) em até 15 milhões de metros cúbicos (m3) diários de gás natural. A retomada dessas negociações foi anunciada na quarta-feira. A capacidade de escoamento do duto é de 30 milhões de m3 por dia.

Essa possibilidade de expansão do duto, segundo a fonte, foi aberta por causa do novo contrato de exploração e produção de gás fechado no fim de outubro entre a empresa brasileira e a YPFB. Na avaliação desse negociador, o contrato garante rentabilidade à Petrobrás e também dá maior segurança jurídica à atuação da empresa no país vizinho, uma vez que foi ratificado pelo Congresso boliviano.

'Com isso, gerou-se um clima favorável para que os dois países voltem a conversar sobre a possibilidade de expandir o gasoduto, conversa essa que foi interrompida com a crise. Nesse novo conjunto de negociações, o preço do gás deixaria de ser um ponto crítico', disse a fonte.

Do ponto de vista técnico, a expansão da capacidade de transporte do Gasbol poderia ser feita com o aumento da pressão de bombeamento do gás e com a duplicação de alguns trechos do duto.

TÉRMICAS

A mesma fonte também confirmou que o teste da situação do fornecimento de gás natural às usinas termelétricas do País vai mesmo começar até o dia 15 deste mês. Segundo a fonte, chegou-se a cogitar a hipótese de o teste ser iniciado segunda-feira, dia 11, mas a Petrobrás, que é a fornecedora do gás, pediu mais alguns dias para que pudessem ser solucionados alguns problemas técnicos.

O teste das condições de fornecimento de gás às termelétricas foi determinado no fim de novembro pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, depois que a Agência Nacional de Energia Elétrica decidiu retirar do estoque de energia disponível no País 2.888 megawatts (MW) que deveriam ser gerados por 10 termelétricas, após constatar que essas usinas não tinham gás natural para operar a plena carga.