Título: Nas forças de paz da ONU, cada caso é um caso
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/08/2006, Internacional, p. A16
A força internacional de paz que a Organização das Nações Unidas (ONU) está organizando para vigiar o sul do Líbano terá cerca de 15 mil soldados. Tropas com esse objetivo foram utilizadas em diversas ocasiões desde a fundação da instituição.
As tropas destacadas para atuar em nome da ONU não têm poderes preestabelecidos. Cada caso é um caso. O que determina os objetivos e o raio de ação é o mandato.
Ao longo das últimas décadas, as forças da ONU tiveram um histórico de sucessos e fracassos e uma característica em quase todas as crises de grandes proporções: foram uma espécie de leões sem dentes. Exemplo clássico disso foi a Bósnia. Em 1992, as forças de paz receberam um mandato para atuar no país e acabaram perdidas em meio a uma monstruosa guerra civil. A fim de preservar sua neutralidade, os soldados acabaram assistindo passivamente ao extermínio de civis bósnios pela Sérvia. Na visão de observadores internacionais, as forças foram, então, humilhadas.
A ONU também enfrentou muitas dificuldades na Somália (1992/1993) e em Ruanda (1994). Naquela ocasião, porém, o órgão adotou uma postura menos passiva e interveio diretamente em disputas entre Estados e senhores da guerra.
Nas operações em Serra Leoa, no início do ano 2000, os capacetes azuis da ONU protegeram um governo que estava cercado, desarmaram rebeldes e foram substituídos por um exército nacional e uma força policial local.
Na República Democrática do Congo, também em 2000, tropas indianas e paquistanesas utilizaram helicópteros e outras armas contra milícias que aterrorizavam a região leste do país. As forças da ONU não conseguiram pacificar a região, mas garantiram a primeira eleição democrática em 40 anos. Por coincidência,
a primeira força da ONU foi criada em 1948, para monitorar o cessar-fogo árabe-israelense.