Título: Empresa promete transparência no trato com ONGs e patrocínios em 2007
Autor: Pamplona, Nicola
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/12/2006, Nacional, p. A16

O gerente de Relações Institucionais da Petrobrás, Wilson Santarosa, afirmou ontem ao Estado que a partir do início de 2007 a empresa vai abrir publicamente os procedimentos para contratação de ONGs e instituições que recebem patrocínios da estatal. A medida tem o objetivo de garantir maior transparência, depois que o processo gerou suspeitas de favorecimento a aliados do PT no período que precedeu as eleições.

Em cerimônia realizada ontem cedo, Santarosa e o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, defenderam a destinação de recursos para atividades sociais e culturais. 'Podemos ser acusados de qualquer coisa, mas não vamos abrir mão do compromisso com a sociedade brasileira', disse Gabrielli. No discurso, ele anunciou que os desembolsos tendem a aumentar no próximo ano, uma vez que são proporcionais ao lucro da companhia.

Pouco antes, Santarosa havia dito que os patrocínios são 'totalmente alinhados com as políticas da companhia' e vêm contribuindo para melhorar a percepção da marca nos mercados onde a Petrobrás atua. Apenas para a cultura, a companhia liberou mais de R$ 200 milhões este ano, segundo afirmou o ministro da Cultura, Gilberto Gil, também presente à cerimônia.

Santarosa reafirmou que as suspeitas de favorecimento foram baseadas em uma análise de 'apenas 26 projetos entre os 1,8 mil' que a empresa tem em carteira. Disse ainda que a escolha das ações patrocinadas é feita por uma comissão de pessoas que não pertencem aos quadros da companhia e são selecionadas entre profissionais dos segmentos beneficiados.

Segundo o executivo, os recursos da Petrobrás são depositados em uma conta específica de cada projeto - e não na conta da ONG ou instituição beneficiada - e há dois fiscais para avaliar os gastos de cada patrocínio. 'Estamos aqui há quatro anos e tivemos apenas um problema, com um líder indígena que sumiu com a primeira parcela de um patrocínio para uma ONG. Nem chegamos a liberar a segunda parcela', adiantou Santarosa.

Como exemplo de que não há favorecimento a aliados, ele citou ainda o caso de uma multa de R$ 33 mil aplicada à CUT, pelo não cumprimento de um contrato de patrocínio para um festival de música.