Título: Gates visita o Iraque e deve ampliar tropas
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Fonte: O Estado de São Paulo, 21/12/2006, Internacional, p. A18
Apenas três dias após assumir o cargo de secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates desembarcou ontem em Bagdá para discutir com os comandantes americanos no Iraque um novo plano para lidar com o conflito.
O objetivo da visita é ouvir recomendações dos militares americanos e de políticos locais sobre a adoção de uma nova estratégia para resolver o caos iraquiano. 'Discutimos a possibilidade de ampliar as tropas e de como faríamos isso', disse Gates depois de uma reunião com militares.
O secretário advertiu, entretanto, que nenhuma decisão foi tomada. Gates deve se encontrar hoje - último dia da visita - com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki.
A visita que teve início ontem é a segunda de Gates ao Iraque nos últimos meses. No início do ano, ele esteve em Bagdá como membro do Grupo de Estudos para o Iraque - uma comissão bipartidária que divulgou na semana passada um relatório recomendando mudanças na estratégia para o conflito.
Entre os militares com quem Gates se reuniu estavam os generais John Abizaid, comandante do Exército para o Oriente Médio, e George Casey, comandante das tropas no Iraque.
No passado, ambos se declararam receosos sobre a possibilidade de enviar mais tropas para o país. 'Não me oponho à idéia, mas minha dúvida é se esse novo contingente vai realmente nos ajudar a progredir no Iraque', disse o general Casey. 'Todas as opções serão consideradas por nós', completou o general Abizaid. Atualmente, há cerca de 140 mil soldados americanos em território iraquiano.
APOSENTADORIA
As desconfianças dos dois generais, entretanto, podem acabar tendo pouco peso nas futuras decisões da Casa Branca sobre o Iraque. Isso porque o Exército dos EUA informou ontem que Abizaid - que também é responsável pelas tropas no Afeganistão - deve se aposentar em breve. Segundo o jornal Los Angeles Times, ele deve ir para a reserva em março.
Como Casey também deve deixar as Forças Armadas na mesma época, Gates terá a oportunidade de reformular o comando militar no Iraque justamente num período em que a Casa Branca estuda adotar uma nova estratégia para o conflito.
Abizaid, porém, declarou que sua saída nada tem a ver com a ampliação das tropas no Iraque - algo que ele sempre se opôs veementemente. 'Acredito que o momento (de deixar o Exército) é esse, mas minha decisão não está relacionada a qualquer tipo de insatisfação', disse.
Há informações de que Abizaid pretendia se aposentar no início do ano, mas não o fez a pedido do então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, antecessor de Gates. O ex-secretário teria solicitado a permanência do general depois do atentado à mesquita de Samarra, que detonou a atual violência sectária entre xiitas e sunitas no Iraque.
Esse tipo de conflito é hoje o principal motivo de ataques, especialmente em Bagdá. Ainda ontem, a polícia iraquiana informou que 76 corpos foram encontrados em diferentes bairros da capital, todos com ferimentos a tiro.Muitos tinham sinais de tortura.