Título: BC prevê PIB de 3,8% em 2007
Autor: Oliveira, Ribamar
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/12/2006, Economia, p. B4
O Banco Central (BC) divulgou ontem uma decepcionante estimativa para 2007: o crescimento de apenas 3,8% no Produto Interno Bruto (PIB). É um porcentual bem abaixo do nível mínimo de 5% estipulado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo mandato.
Os cálculos do BC para 2006, registrados no Relatório de Inflação de Dezembro, reforçam os argumentos dos que apontam exagero na condução da política de juros. O País fechará este ano, na melhor das hipóteses, com expansão de 3% na sua atividade econômica. Mas, pela primeira vez desde a criação do regime de controle inflacionário, em 1999, a variação dos preços ao consumidor ficará abaixo do centro da meta, hoje de 4,5%. Será de apenas 3,1%, pelas projeções.
O Relatório de Inflação destacou que o Brasil consolidou um 'cenário benigno' para a variação dos preços. Esse cenário, insistiu o BC, 'pavimenta o caminho para a expansão sustentada da economia ao longo dos próximos anos'. Para 2007, entretanto, essa percepção de acerto na receita adotada ainda não será tão clara: o crescimento de apenas 3,8% da economia se dará com inflação de 3,9%, nas contas do BC, ou de 4,3%, nas projeções do mercado, ambas as perspectivas abaixo do centro da meta de 4,5%.
O diretor de Política Econômica do BC, Afonso Bevilaqua, insistiu que há sempre a tentação de imaginar que tudo o que acontece na economia é resultado da política monetária. 'O crescimento do PIB depende também de fatores que não são controlados pelo BC, como a produtividade e os investimentos.' Ele indicou a necessidade de geração de um ambiente mais favorável à injeção de recursos no parque produtivo do País.
As projeções do BC para a inflação e o PIB em 2007 levam em conta um cenário no qual a taxa Selic permaneceria em 13,25% ao ano e taxa de câmbio em R$ 2,15 por dólar. Mas o próprio Bevilaqua deixou escapar a possibilidade de o desempenho do PIB mostrar-se mais alentador, pois os cálculos não consideraram os impactos das medidas do pacote a ser anunciado em janeiro.
Para o diretor, a preservação da inflação em níveis baixos ao longo do tempo assegurará a aproximação da taxa média brasileira à dos demais países. Segundo Bevilaqua, o centro da meta de inflação, de 4,5%, passará a ser a referência para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), e não mais o seu teto, de 6,5%. 'Quando a inflação permanece controlada, o prêmio de risco de juros tende a cair. É assim que o juro baixa em qualquer lugar do mundo', afirmou.
Em setembro, o BC previa expansão de 3,5%, que despencou junto com as projeções do desempenho dos setores da economia. O PIB industrial deverá crescer apenas 3,3%, de serviços, 2,4%, e agropecuário, 2,8%. A Formação Bruta do Capital Fixo - investimento na estrutura produtiva - aumentará 6,1%, ante 8,3% previsto em junho. A contribuição das exportações, de 4,9% em 2004, deverá ser negativa em 0,9%.