Título: Maioria do eleitorado é contra o voto obrigatório
Autor: Marchi, Carlos
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/12/2006, Nacional, p. A4
Na pesquisa CNI/Ibope, mais da metade do eleitorado (54%) se disse contra o voto obrigatório, que é defendido por uma minoria (45%). Uma parcela expressiva (56%) admitiu que teria votado nas últimas eleições mesmo que o voto não fosse obrigatório (os nordestinos são os que mais votariam); 43% disseram que não votariam.
O levantamento revela que o eleitor confessa que, além de futebol, gosta de outro tema - política. Na pesquisa, 48% responderam que conversam com amigos sobre política com muita freqüência (17%) ou com alguma freqüência (31%). O interesse por política é maior à medida que o eleitor tem mais instrução. Entre os que têm nível superior, 73% dizem conversar sobre política.
O eleitorado brasileiro aumentou a sua participação porcentual nas eleições de 2006, dando um sinal de interesse e vitalidade democrática. Mas quando a pesquisa indagou se o voto melhora as condições de vida, o eleitorado rachou em duas metades: 51% responderam que sim e 47% defenderam que a vida das pessoas não é mudada pelo exercício do voto.
Os que menos acreditam que 'o voto pode melhorar a vida das pessoas' são os eleitores de baixa escolaridade. À medida que o nível de escolaridade aumenta, o eleitor vai vinculando mais o voto à oportunidade de melhorar a vida. Quanto mais jovem, mais o eleitor tem essa visão positiva do voto.
A imensa maioria (77%) é contra o financiamento público das campanhas eleitorais, muito provavelmente sem saber exatamente o significado da proposta. Mas o eleitor aprendeu o significado da fidelidade partidária - e 52% se dizem a favor de sua instituição. Quanto à reeleição, 58% são a favor.
Apesar do gosto por política, apenas 10% dos eleitores afirmam participar ativamente ou de vez em quando de reuniões políticas. O número não muda muito para a participação em associações profissionais ou sindicais - apenas 14% se engajam. Mas, nos temas de interesse pessoal, a participação é maior: 37% tomam parte de reuniões nas escolas dos filhos e 72% vão a reuniões em igrejas.