Título: Mantega ainda crê em expansão de 4% no ano
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Fonte: O Estado de São Paulo, 01/09/2006, Economia, p. B3
Apesar do fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a economia está crescendo "de forma robusta". Ele sustentou a previsão do governo de que o PIB terminará este ano com expansão de 4% e disse que a queda do segundo trimestre foi "pontual" e já está superada. "Nós já estamos numa trajetória de aquecimento a partir de julho."
Para explicar o desaquecimento apontado pelo IBGE, o ministro da Fazenda citou fatores como a Copa do Mundo, que diminuiu o número de dias de trabalho em junho, a greve da Receita Federal e até serviços de manutenção em plataformas da Petrobras. "Evidentemente, existe sazonalidade, não é um crescimento contínuo, igual. Cada trimestre tem um comportamento diferente", disse Mantega em Belo Horizonte, onde se encontrou com políticos do PT e se reuniu com empresários na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).
Mantega disse acreditar que o crescimento da economia deverá ser superior a 1% no terceiro trimestre. Indicações disso, segundo ele, seriam o aumento, em julho, das vendas de automóveis e do consumo de energia elétrica e de papelão ondulado. "Então, a economia está crescendo de forma robusta. O mercado interno está sólido, está se ampliando, porque a massa salarial está crescendo e porque os empregos estão se ampliando." O ministro ainda rechaçou qualquer motivação política para a decisão de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir em 0,5 ponto porcentual a taxa Selic, indo além da previsão da maioria dos analistas de que a queda ficaria em 0,25 ponto. O corte mais acentuado, segundo ele, foi possível porque a inflação está abaixo da meta estabelecida.
"Isso é algo inédito. A inflação está dando uma folga para a queda da taxa de juros. A gente teria que se surpreender se ela não caísse." Segundo Mantega, há espaço para a manutenção da queda da Selic nas próximas reuniões do Copom. "Qualquer economista pode fazer essa dedução. Não há nenhuma interferência política", enfatizou. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, também descartou, em Brasília, interferência política no Copom.
Em Manaus, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, também recorreu à Copa do Mundo e às greves dos fiscais para explicar o fiasco do PIB. "Mercadorias ficaram retidas, não saíam nem entravam, estes foram os grandes vilões que influenciaram mais no baixo crescimento do PIB", considerou. Furlan, no entanto, também responsabilizou a taxa de câmbio valorizada, que desestimula exportações industriais e favorece as importações.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, reconheceu, em Brasília, que o crescimento da economia no segundo trimestre ficou "aquém daquilo que todos gostariam". Disse que o Brasil já chegou em um ponto em que tem todas as condições para crescer mais e de forma sustentada.