Título: Na América Latina, vendas crescem 1,4% em dez anos
Autor: Silva, Cleide
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/12/2006, Economia, p. B6
Entre 2001 e 2005 a China recebeu em média US$ 3,7 bilhões por ano em investimentos de montadoras. No Brasil, a média anual no período foi de US$ 1,1 bilhão. Na Índia, foi de US$ 1,95 bilhão em 2004 e em 2005. Os investimentos refletem a expectativa de crescimento de cada mercado e, claramente, segundo Letícia Costa, presidente da consultoria Booz Allen, ¿a da China é mais elevada.¿
Em uma década, o mercado na América Latina cresceu 1,4% (para 3,8 milhões de veículos). Na América do Norte, o crescimento ficou em 1,6% (17,9 milhões) e na Europa, em 2,7% (17,7 milhões). Na Ásia, o crescimento foi de 5,3% (18 milhões).
A China, sozinha, produziu 5,6 milhões de veículos em 2005 e este ano deve ficar perto de 7 milhões, prevê o vice-presidente da Kaiser Associates, David Wong. ¿A velocidade de crescimento da China e da Índia transformam o Brasil em uma sombra no mercado mundial.¿
Na opinião de Marcelo Cioffi, vice-presidente da PricewaterhouseCoopers, grandes investidores priorizam países com maior potencial de crescimento do mercado interno. O Brasil, diz, é muito dependente das exportações, que estão em queda, mas ainda representam 30% da produção nacional.
O foco maior será em países com mercado interno forte e exportação apenas do excedente produtivo, diz Cioffi. Para ele, mesmo a projeção de vendas de 2 milhões de veículos no Brasil em 2007 é pequena, considerando a capacidade instalada e o rápido crescimento de outros mercados emergentes.
A indústria reclama que a carga tributária trava as vendas. No Brasil, diz, de cada três carros vendidos, um vai para o governo na forma de imposto. Na China, modelos populares recolhem 3% de imposto. Os mais luxuosos, 20%, e não há outras taxas, como Pis e Cofins.