Título: 'Negociação de Doha será dura'
Autor: Fernandes, Nalu
Fonte: O Estado de São Paulo, 04/01/2007, Economia, p. B8

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reuniu-se ontem com a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, com o objetivo de discutir a retomada das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Tarefa que, para o ministro brasileiro, não será simples.

Amorim classificou a negociação de ¿complexa e difícil¿. ¿Talvez porque, pela primeira vez, os países em desenvolvimento estejam negociando de igual para igual¿, disse ele, após o encontro.

A conversa, ponderou Amorim, ¿foi um bom início para o ano-novo¿. ¿Se as negociações não fossem difíceis, não estaria aqui no dia 3 de janeiro e a embaixadora (Schwab) não teria estado ausente de uma reunião de gabinete em Washington.¿

Segundo Amorim, foram discutidas questões de agricultura, serviços e relações com outros países. Na avaliação de Schwab, ¿a conversa foi muito construtiva¿, mas ela reconheceu que ¿há duras negociações pela frente¿. Amorim afirmou que sentiu ¿a disposição dos EUA para discutir (o corte de subsídios agrícolas), o que é positivo¿.

De fato, a agricultura continua no foco da disputa. Enquanto Schwab observou que ¿é necessário fazer muito mais não apenas quanto à agricultura, mas também em manufatura e em serviços¿, Amorim argumentou que ¿Doha não é só agricultura, mas a agricultura é fundamental¿.

As negociações de Doha, que tiveram início em 2001, foram suspensas em Genebra, em 24 de julho de 2006, depois de divergências entre os membros do chamado G-6, que reúne EUA, União Européia, Japão, Brasil, Índia e Austrália.

COM BAN KI-MOON

Num encontro com Amorim no Brasil, em meados de 2006, Schwab observou que um acesso inadequado aos mercados não contemplaria as metas de Doha. Ontem, ela reiterou que ¿nem o Partido Democrata (que assumiu ontem o controle do Congresso americano) nem o Republicano aceitariam uma Rodada Doha insuficiente¿.

Amorim também se reuniu com o novo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. O secretario disse que Amorim é o primeiro representante de Estado a encontrá-lo oficialmente desde que assumiu. Amorim disse ao secretário que a ONU precisa ter mais funcionários brasileiros, principalmente nos altos escalões.