Título: Falta de registro civil impede crianças de ir à escola
Autor: Tereza, Irany e Rodrigues, Karine
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/09/2006, Nacional, p. A21
A falta de registro civil de Sirlei Monteiro dos Santos e dos dois filhos menores impede que a vendedora de tapetes de 44 anos matricule as crianças na escola.
Ela reconhece que foi negligente em não ter ainda providenciado o registro de Jéferson Ricardo, de 11 anos, e Paulo Henrique, de 7, mas tenta se justificar. 'Sou sozinha, meu companheiro me abandonou e não tenho a quem recorrer.'
Sirlei conta que por diversas vezes foi a um cartório de Belém para legalizar a situação das crianças. Não conseguiu. 'Um funcionário olhou pra mim e perguntou pela minha certidão de nascimento. Respondi que não tinha e ele disse que não poderia fazer nada por mim.' Com sete filhos para criar - os outros cinco estão matriculados - e vivendo de uma renda com a venda de tapetes que não chega a R$ 200 por mês, ela chora ao lembrar das cobranças que recebe de Jéferson e Paulo.
'Eles olham para os outros, vêem todos estudando e perguntam por que estão fora da escola. Sinto vergonha e tristeza de dizer que é tudo por causa do registro civil.' As vizinhas de Sirlei dizem que na rua onde ela mora há outras crianças que não estão matriculadas na rede de ensino municipal. Isso fez com que várias mães perdessem o direito ao programa Bolsa-Família e a outros benefícios do governo federal.
O garoto Jéferson disse que seu sonho é escrever o próprio nome e ler um livro. 'Eu quero ir para a escola de qualquer jeito', pediu o menino. Paulo pensa grande: 'Quero ser doutor.'