Título: Especialistas confirmam suspeita de pontos cegos
Autor: Tavares, Bruno e Monteiro, Tânia
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/11/2006, Metrópole, p. C8
Embora descartem a existência de um 'buraco negro' na área de intersecção entre os centros de Brasília (Cindacta-1) e da Amazônia (Cindacta-4), onde no dia 29 de setembro ocorreu a colisão entre o jato Legacy e o Boeing 737-800 da Gol, especialistas em sistemas de controle do espaço aéreo afirmam que pode haver 'pontos cegos' móveis na região. Anteontem, o presidente da comissão de investigação do acidente, coronel Rufino Ferreira, admitiu a possibilidade de falhas dos equipamentos de comunicação em terra terem contribuído para a tragédia com o vôo 1907.
Segundo técnicos do setor, tanto fatores meteorológicos quanto de posicionamento geográfico das antenas de rádio e dos radares podem causar interferências. 'É exatamente o que ocorre com os sinais dos celulares', diz um consultor da Aeronáutica. Na intersecção entre os Cindactas, o problema tende a ser acentuado, já que a cobertura das antenas de rádio e dos radares é menos eficaz.
O que ainda intriga os investigadores é que, no dia da tragédia, outros aviões que sobrevoavam a região não reportaram qualquer dificuldade de comunicação. O ministro da Defesa, Waldir Pires, também negou ontem a existência de 'buracos negros' na comunicação.
Os especialistas não vêem com preocupação o fato de o radar primário do Cindacta-1, que indica a posição geográfica da aeronave, ter falhado minutos antes da colisão. Eles lembram que, nas rotas oceânicas, não há cobertura radar. 'O radar primário é limitado, pois sua função principal é de defesa aérea', explica um técnico.
O relatório preliminar da comissão que apura o acidente foi visto com naturalidade pelos controladores do Cindacta-1, embora o documento reforce as suspeitas contra o controle. A comissão vai ouvir os operadores de plantão no dia da tragédia. Para um controlador de Brasília, está claro que houve 'alguma falha do controle'. 'Mas isso não significa que somos culpados pelo acidente.' Para outro, está claro que houve uma pane da freqüência de rádio. 'O piloto do Legacy tentou 20 contatos com o Cindacta-1 e nada. Um jato novo não teria problemas.'