Título: Trechos
Autor: Mendes, Vannildo
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/09/2006, Nacional, p. A4
Desfaçatez: "Atravessamos um momento paradoxal: de aparente desconexão entre o que é o sentimento da opinião pública e o discurso eleitoral rotineiro; de tanta desfaçatez dos que ocupam o poder (...), de quem deveria dar as pautas de comportamento pensando mais na Nação que em seus umbigos e nada mais faz do que se jactar de grandezas inexistentes."
Alvo: "Para que não pairem dúvidas: é do presidente (Lula) e de seu partido (ou deveria dizer ex-partido?) que falo."
Crime: "Pagar mensalão é crime e como crime deve ser tratado (...). A fonte (de recursos) foi pública; é roubo do dinheiro do povo, ainda que empréstimos fictícios de bancos privados tenham sido usados para encobrir esse fato."
Autocrítica: "Nós do PSDB não fomos suficientemente firmes na denúncia política de todo esse descalabro no momento adequado (...). É verdade que também somos responsáveis pelo que hoje se vê: a cada dia mais corrupção; a cada dia, menor reação. Erramos no início, quando quisemos tapar o sol com a peneira no caso do senador (Eduardo) Azeredo."
Dinheiro de Lula: "Nosso candidato à Presidência tem as mãos limpas (...) Ele não tem que explicar, como Lula, por que tendo tanto dinheiro vivo (e quanto!), não paga dívidas. Por que ora diz nunca ter ouvido falar de sua dívida no partido, ora que a discutiu, mas não a reconhece."
Erro na segurança: "(No caso da violência), o PSDB tem responsabilidades e tem o que dizer. Em São Paulo, para cingir-me ao Estado que foi governado por Alckmin, as taxas de homicídio e latrocínio caíram fortemente graças à ação da polícia. Nunca se prendeu tanto, a um ponto tal que a cada mês há mais 800 presos (...). O sistema prisional está abarrotado e, há que reconhecer, não foi capaz de dar tratamento adequado à massa de presos, criando caldo de cultura para a criminalidade e deixando ao PCC espaço para demagogia em nome da melhoria de condições de vida dos prisioneiros."
Bolsa-família: "Não devemos temer a Bolsa-família. Ela não apenas resultou de programas que nós criamos (...) como vem sendo desvirtuada pela velocidade eleitoreira com que cresce e pelo descuido na verificação da satisfação de requisitos para sua obtenção."
Papai-presidente: "(A Bolsa-família) tem sido feita no embalo da pura propaganda eleitoral, tornando um propósito saudável, pois inauguramos estes programas como um 'direito do cidadão', numa benesse do papai-Presidente."
Neoliberal: "O PSDB (não deve ter medo de) slogans do tipo "governo neoliberal" (mesmo porque, se for para adjetivar, a nenhum governo caberia melhor o epíteto do que ao do PT), deve pregar e praticar uma revolução capitalista, ou, nas palavras usadas há tanto tempo no discurso de Mário Covas, um 'choque de capitalismo'. Não podemos continuar meio envergonhados cada vez que o PT e seus aliados falam de 'privataria'."
Apagão: "É preciso dizer com todas as letras e toda a força que a privatização da Telebrás foi um sucesso absoluto (...) E dizer também que no setor elétrico houve fracasso: privatizamos apenas a distribuição de energia e a Eletrosul (...). Resultado: é só ver as estatísticas sobre investimentos no setor (que não dispõe de um modelo claro e competente, indutor de parcerias com o setor privado) para entender porque vira-e-mexe fala-se de apagão."