Título: Israel põe fim a bloqueio ao Líbano
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Fonte: O Estado de São Paulo, 07/09/2006, Internacional, p. A16

O governo israelense anunciou ontem que levantará hoje no começo da noite o bloqueio aéreo e marítimo imposto ao Líbano há quase dois meses, logo depois do início do conflito com o grupo xiita libanês Hezbollah. A decisão representa um avanço importante nos esforços do governo libanês para reconstruir as regiões do país destruídas pelos bombardeios israelenses.

Sob forte pressão da ONU para pôr fim ao bloqueio, Israel só anunciou a medida depois de um acordo pelo qual ficou acertado que tropas estrangeiras da força de paz da ONU, a Finul, supervisionarão o litoral e o espaço aéreo do Líbano, para evitar o contrabando de armas para o Hezbollah. autoridades de Israel disseram que a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, lhes deram garantias de que a Finul supervisionará os portos.

O governo israelense quer impedir que o grupo obtenha novos suprimentos de foguetes, mísseis e munições da Síria e do Irã, acusados de ser seus principais financiadores. Esse entendimento foi uma vitória para Annan, que se empenha em atuar como mediador para eliminar os entraves para um cessar-fogo duradouro.

Outra iniciativa de Annan, anunciada esta semana, é a nomeação de um enviado da ONU para intermediar a troca de prisioneiros entre Israel e o Hezbollah. Embora oficialmente Israel exija a libertação incondicional de dois de seus soldados capturados pelo grupo, na realidade, o governo israelense terá de negociar. Ontem o governo do Líbano, enfatizou que o Hezbollah só soltará os dois militares por meio de uma troca de presos (ler ao lado).

Não há cálculos precisos sobre os danos causados pelo bloqueio israelense, iniciado em 13 de julho, um dia depois de o Hezbollah ter capturado os dois soldados - fato que levou Israel a bombardear pesadamente o Líbano. Mas o primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, estimou que se o bloqueio fosse mantido por mais 20 dias, os prejuízos com o isolamento do país poderiam chegar a US$ 1 bilhão - justamente o valor arrecado pelo Líbano na semana passada, numa conferência de doadores de ajuda. No total, o governo estima em cerca de US$ 6 bilhões os prejuízos com a destruição de casas, da infra-estrutura e a paralisação da economia.

Nos dias que precederam o cessar-fogo, estabelecido em 14 de agosto, os libaneses enfrentaram escassez de combustível e racionamento de energia elétrica. Durante a guerra, aviões e navios não podiam entrar nem sair do Líbano. Depois da trégua, navios com suprimentos puderam atracar nos portos, após coordenação com Israel, e alguns aviões aterrissaram.

Estão no Líbano 3.250 soldados estrangeiros da Finul, e a expectativa é que esse número alcance 5 mil até o fim da próxima semana. Outros 10 mil chegarão nas semanas seguintes, totalizando os 15 mil previstos na Resolução 1.701 do Conselho de Segurança da ONU que estabeleceu as premissas para o cessar-fogo.

As forças da ONU ficarão concentradas no sul do Líbano, região antes sob controle do Hezbollah, para impedir que o grupo volte a disparar foguetes contra Israel ou a cruzar a fronteira.