Título: Serra admite 'corte de desperdícios'
Autor: Macedo, Fausto
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/01/2007, Nacional, p. A6

O governador José Serra (PSDB) afirmou ontem publicamente que em sua administração vai ¿imprimir o padrão tradicional de austeridade e de corte de desperdícios¿. Segundo Serra, ¿essa é uma luta permanente que pode ser feita a cada ano, a cada período, a cada novo governo, é uma luta que tem que ser permanentemente renovada¿.

Em seu primeiro compromisso fora do Palácio dos Bandeirantes, desde que tomou posse, ele mandou um recado à Assembléia, que hesita em colocar na pauta de votação o Orçamento para 2007. ¿Dá para trabalhar, não muito tempo¿, ele advertiu. ¿Nos primeiros meses dá.¿

A votação do Orçamento emperrou no Palácio 9 de Julho, sede do Legislativo paulista. Antes da virada do ano os parlamentares preferiram debater outros projetos.

Serra foi à solenidade de passagem do Comando-Geral da Polícia Militar. O novo comandante é o coronel Roberto Antônio Diniz, de 48 anos.

Instituição com quase dois séculos de história e um efetivo de 100 mil policiais, entre homens e mulheres, a PM consome orçamento anual de R$ 4 bilhões, montante que se iguala ao de um dos Poderes, o Judiciário.

O primeiro palanque para Serra governador foi montado no pátio da Academia do Barro Branco, centenária fortaleza na zona norte da capital que forma os oficiais da corporação. Ao longo de duas horas ele assistiu de pé ao desfile de tropas armadas. Fizeram companhia ao governador os secretários de duas pastas polêmicas, onde reside seu primeiro e maior desafio - Segurança Pública e Administração Penitenciária.

Aos coronéis, ele reiterou sua preocupação com relação ao avanço da criminalidade no Estado. Pediu ¿combate implacável ao crime organizado, mas dentro da lei e com respeito aos direitos humanos¿.

FUNDOS

Não fez apenas cobranças aos militares, porque a eles também dirigiu palavras de conforto e apoio. Ao homenagear os que morreram em combate, tocou numa ferida de seu antecessor, Geraldo Alckmin: ¿Agradeço àqueles que caíram no cumprimento do dever de proteger a população e resguardar a nossa democracia, muitas vezes fruto de ataques covardes como aqueles que aconteceram no ano passado¿, disse o governador em alusão à ofensiva do PCC, facção que atormenta as forças policiais.

Depois da festa, Serra declarou que ¿o crime organizado é o principal problema, mas não é o único¿. Por fim, apontou para seu maior rival, o presidente Lula, cujo governo não estaria promovendo regularmente repasse de dinheiro para as polícias e para as prisões. ¿Verbas do governo federal são outro capítulo. Esperamos que o Fundo Nacional de Segurança e o Fundo Penitenciário continuem sendo transferidos porque há um problema de congelamento, de contingenciamento.¿