Título: 'Brasil sabia de denúncia'
Autor: Chade, Jamil
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/01/2007, Economia, p. B1
O Secretário de Relações Econômicas Internacionais da Chancelaria Argentina, embaixador Alfredo Chiaradía, negou que seu país não tenha informado o Brasil sobre a denúncia na Organização Mundial de Comércio (OMC).
¿Não foi nenhuma surpresa nem para o governo nem para a empresa brasileira¿, disse ele. ¿Há um ano estamos negociando e nos estão dando voltas e voltas, sem chegar à um acordo. Tanto o Brasil quanto a empresa brasileira sabiam que faríamos uma queixa na OMC.¿
O embaixador também afirmou que a Argentina tentou utilizar outros mecanismos para evitar a queixa. ¿Estivemos consultando as autoridades do Brasil durante 12 meses e, nesse caso, não seria útil a atuação do Tribunal de Soluções de Controvérsias por falta de normas específicas comuns de antidumping no Mercosul¿, explicou. ¿Fizemos todo o possível para preservar o Mercosul.¿
Indagado se o governo de Néstor Kirchner tinha críticas à atuação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva nessas negociações, Chiaradía disse que não. ¿Não temos nenhuma queixa à atuação do Brasil, mas sim contra a empresa¿, afirmou. Ele acusou a M&G de tentar ¿monopolizar o mercado de resina PET no Brasil, expulsando a argentina Voridian¿, subsidiária da americana Eastman.
Há duas semanas, a Argentina denunciou o Brasil na OMC pela aplicação de medidas antidumping contra as importações brasileiras de PET, que chegam a 35% para as operações da Voridian e 67% para o resto dos fabricantes argentinos de PET. Desde setembro de 2005, quando essas tarifas começaram a ser aplicadas, as exportações argentinas de PET para o Brasil despencaram cerca de 50%.
A situação levou a Voridian a pedir ao governo argentino uma investigação de dumping. Essa investigação foi concluída em junho de 2006 e a Argentina decidiu também exigir direitos compensatórios de 3,17% para as operações de M&G e de 18,9% para o resto das importações de PET do Brasil.
Ambos os governos convocaram as empresas para tentar um acordo que não saiu. ¿A única possibilidade de resolver o problema foi levá-lo à uma instância adequada¿, nesse caso, a OMC, explicou o embaixador, ressaltando que ¿a empresa brasileira está colocando em perigo a qualidade de investimentos milionários na Argentina¿.
Chiaradía fez questão de esclarecer que o recurso de chegar à OMC foi o último e ¿a relação com o Brasil é muito importante para a Argentina e vice-versa. Quando temos alguma dificuldade manejamos de maneira reservada entre os governos¿.