Título: Novo governo monta plano para enfrentar três ameaças
Autor: Amorim, Silvia
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/01/2007, Nacional, p. A12
Antes mesmo de assumir o governo, José Serra identificou as três grandes ameaças que poderá enfrentar em seu início e tem prontos planos de contingência para enfrentá-las, se e quando elas acontecerem. A primeira e mais delicada ameaça é a possibilidade de ocorrerem rebeliões nos presídios estaduais, como forma de testar o pulso do novo governo. A segunda é a erupção de rebeliões nas unidades do Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (Casa), novo nome da Febem, que teriam características diferentes das rebeliões dos presídios, porque são surtos espontâneos, não organizados previamente.
A terceira ameaça é a possibilidade de ser deflagrada uma greve dos professores estaduais depois do início das aulas, em fevereiro. A assessoria do novo governo foi informada de que correntes do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), filiado à CUT e vinculado ao PT, estão discutindo internamente a opção de uma greve que seria apresentada como reivindicatória, mas teria inspiração política - com o objetivo de desgastar e desacreditar a gestão Serra em seu início.
Como forma de enfrentar rebeliões nos presídios e desordens nos grandes centros urbanos - nos moldes do acontecido em maio, julho e agosto de 2006 -, o governo Serra vai reposicionar os conceitos da segurança pública, utilizando fortemente as armas da inteligência policial. Segundo assessores do novo governador, o secretário de Administração Penitenciária, Antônio Ferreira Pinto, foi mantido pela forma incisiva como abafou as rebeliões e também porque, ao ficar no cargo, facilitou a transição para as novas medidas de prevenção.
Essas novas medidas, que o novo governo conta como muito eficazes, já começaram a ser implantadas pelos setores de inteligência das polícias e da administração dos presídios. O primeiro alvo é a eventual organização de rebeliões nos presídios ou a emissão de ordens, pelos líderes presos do crime organizado, para que seus cúmplices detonem atos de violência nos grandes centros.
O novo governo vai reforçar ainda mais essas medidas a partir de amanhã. As principais são a adoção de padrões mais rigorosos na rotina dos agentes penitenciários, a ampliação da escuta telefônica nos presídios e ações de contra-informação dos setores de inteligência das polícias, visando a detectar movimentações e conversas suspeitas de lideranças do crime organizado.
FIM DA BOA VIDA
Segundo análise do novo governo, a onda de violência acontecida no Rio de Janeiro tirou o ineditismo de um possível baderna em São Paulo. Mesmo assim, um assessor do novo governador disse que os líderes do crime organizado presos ¿não terão mais boa vida¿. Os principais líderes serão monitorados quase que permanentemente, para mapear as ordens que possam emitir dos presídios para os liderados que estão soltos.
Eventuais rebeliões nas unidades da Casa estão sendo consideradas sob duas óticas: uma é a rebelião organizada, provocada por ordens emitidas por líderes do crime organizado para os jovens se amotinarem; outra é o surto espontâneo, deflagrado dentro da unidade sem influência externa. As duas visariam a ¿testar¿ o novo governo. A primeira hipótese será cuidada pelo monitoramento dos criminosos-líderes. A segunda será cuidada com o aumento da atenção sobre as unidades nas primeiras semanas de governo.
Já uma eventual greve geral de professores no retorno às aulas demanda tratamento mais político, apontou o novo governo. Um levantamento da assessoria de Serra mostra que a Apeoesp liderou protestos e greves de professores - nem sempre bem-sucedidos - em todos os anos de governos tucanos, com exceção de 2002. Em 2000 o então governador Mário Covas chegou a ser agredido duas vezes.