Título: PMDB aceita acordo com PT e apoiará Chinaglia
Autor: Samarco, Christiane
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/01/2007, Nacional, p. A6
O candidato oficial do PMDB a presidente da Câmara é o líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Não bastasse a derrota na articulação para que o PMDB adiasse sua decisão, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que tenta a reeleição, também foi vencido no voto ontem. Reunidos em um dos plenários da Casa, exatos 64 dos 90 peemedebistas eleitos em outubro participaram da votação e apenas 11 ficaram com Aldo.
Chinaglia obteve 40 votos depositados na urna e mais 6 declarações de apoio por escrito. Outros 6 deputados eleitos não optaram por nenhum dos dois candidatos e apenas 1 votou em branco. Antes dessa votação, os peemedebistas aprovaram um compromisso, por aclamação, de que a minoria acompanharia a decisão da maioria no caso das candidaturas. Ao final das duas horas de reunião, no entanto, os partidários da reeleição do presidente da Câmara deixaram claro que o assunto não está encerrado.
¿O Aldo continua candidato e ainda está forte¿, afirmou Aníbal Gomes (CE). ¿A gente reconhece o resultado da reunião do partido, mas para mim, que estou chegando agora, é um indicativo, uma preliminar¿, completou o novato Rodrigo Rocha Loures (PR), ao lamentar não ter trazido cinco votos por escrito dos paranaenses que, segundo ele, acompanham a orientação do governador Roberto Requião (PMDB) em favor de Aldo. ¿No plenário a história é outra e o voto é secreto¿, encerrou Jader Barbalho (PA).
No início da noite, Aldo garantiu que levará seu nome ao plenário, com o apoio de deputados do PMDB. ¿Reafirmamos que a candidatura vai até a vitória, com o apoio dos partidos que até agora integram nossa campanha e de parlamentares do PMDB.¿ Ele aposta no apoio de várias bancadas, como a do PSB, do seu PC do B, do PFL e do PMN, e em conseguir votos avulsos nas demais bancadas. Além disso, disse que está conversando com PSDB, PDT, PTB e PR. ¿Meu trunfo é o apoio amplo¿, resumiu.
UNIÃO
Não foi o que o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), assegurou a Chinaglia, ao comunicar-lhe a decisão do PMDB. Chamado a receber pessoalmente o resultado da votação, Chinaglia ouviu de Temer que ¿houve decisão significativa, que a maioria optou pela proposta do PT e que a decisão da bancada, que sai unida, será acolhida pela unanimidade dos peemedebistas¿. Encerrada a formalidade, porém, ele admitiu que não há como garantir o apoio fechado do partido no voto secreto. ¿Vamos ser realistas¿, advertiu.
De manhã, Temer recebera os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Luiza Erundina (PSB-SP), que defendem uma terceira via na disputa e sugeriram que ele fosse o candidato. Mas os peemedebistas concluíram que não havia espaço para alguém do partido na disputa. Tanto que o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique, que veio a Brasília ontem disposto a lançar Temer, nem sequer apresentou sua proposta.
ACORDO POLÍTICO
A Chinaglia, Temer fez questão de frisar que a bancada optou por ¿um acordo de natureza política¿. Referiu-se à proposta de rodízio na presidência da Câmara, pela qual os petistas se comprometeram a apoiar o candidato do PMDB à sucessão de Chinaglia, daqui a dois anos.
Recado dado, Chinaglia também tratou de mencionar o acordo ao agradecer o apoio manifestado pela bancada. ¿Este é um momento de orgulho e também de compromisso¿, afirmou. Em seguida, foi sua vez de mandar um recado.
Primeiro ele elogiou a ¿atitude de grandeza¿ dos pré-candidatos do PMDB que retiraram sua postulação em favor da parceria com o PT - o único peemedebista que havia se apresentado para concorrer foi Edinho Bez (SC), mas ele retirou seu nome ao constatar que não havia apoio. Em seguida, Chinaglia fez questão de lembrar que na eleição passada também retirou sua candidatura em favor da de Aldo, embora tivesse sido escolhido candidato pelo PT. ¿Nós, homens públicos, temos que agir em consonância com a responsabilidade que a sociedade nos delega¿, disse, negando em seguida que tivesse mandado recado a Aldo.
¿Além de honrado, me sinto bem mais fortalecido, não só pelo peso numérico do PMDB, mas pelo peso político do partido¿, afirmou. ¿Com o PMDB se incorporando à minha campanha, terei tempo até para cortar o cabelo¿, brincou.