Título: Congonhas vai fechar sempre que chover
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Fonte: O Estado de São Paulo, 09/01/2007, Metrópole, p. C1
Os passageiros que usam o Aeroporto de Congonhas, zona sul, podem se preparar para enfrentar atrasos nos vôos neste verão. Por orientação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), todas as vezes em que o aeroporto for atingido por chuvas - sejam elas fortes ou moderadas -, pousos e decolagem devem ser imediatamente suspensos para que técnicos da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) possam medir a quantidade de água nas pistas.
Se a lâmina d'água tiver menos de 3 milímetros - nível considerado seguro para evitar aquaplanagem -, as operações podem ser retomadas. Caso contrário, o aeroporto tem de permanecer fechado até que o volume de água na pista volte aos padrões aceitáveis. O problema, diz um militar envolvido no controle de tráfego de Congonhas, é que cada medição demora, em média, 30 minutos para ser feita, o que tem provocado atrasos e até desvios de vôos. O mesmo oficial recomenda aos passageiros que evitem partir ou chegar em Congonhas entre 15 e 19 horas, período de maior incidência de temporais.
Embora a medida esteja em vigor desde o dia 29, só começou a ser posta em prática anteontem, quando o Serviço Regional de Proteção ao Vôo suspendeu as operações por 1 hora e 10 minutos. Pouco antes, um avião da BRA foi obrigado a arremeter (abortar o pouso). E o vôo 2635 da Varig decolou de Brasília com duas horas de atraso por causa do mau tempo em São Paulo. Ao se aproximar de Congonhas, ainda teve de fazer órbitas (sobrevôos) por 30 minutos até que o nível de água na pista baixasse.
Construídas nos anos 30, as pistas de Congonhas perderam a rugosidade, essencial para que haja atrito adequado. A decisão de interromper as operações para avaliar as condições do pavimento a cada chuva teve o apoio das companhias aéreas, apesar de afetar o funcionamento das malhas aéreas. As empresas consideravam arriscado operar no aeroporto em dias chuvosos. O temor aumentou em março, depois que um avião da BRA derrapou e quase caiu na Avenida Washington Luís. Em outubro, um Boeing da Gol também teve problemas para frear e deslizou até o gramado que divide as pistas. 'Para nós é terrível, mas, por enquanto, não há outra solução', diz o consultor do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Ronaldo Jenkins.
Amanhã, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realiza a primeira audiência pública para discutir a reforma da pista auxiliar de Congonhas. Pelo cronograma original, a obra terá início em fevereiro. A recuperação da pista principal está prevista para começar em maio.