Título: Lula avisa: candidatos em 2008 não serão ministros
Autor: Scinocca, Ana Paula
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/01/2007, Nacional, p. A6

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado claro aos petistas interessados em ocupar cargos no primeiro escalão do governo. Não quer que seus ministérios funcionem como trampolim para interessados nas eleições de 2008. ¿Quem entrar no ministério vai ser para ficar, e de preferência por quatro anos. Não quero ninguém que entre concentrado em disputar a eleição no ano que vem¿, afirmou Lula, segundo um auxiliar.

Amparado pela tese de um trabalho de continuidade nos quatro anos de seu segundo mandato, Lula ainda tem dúvidas, por exemplo, se convoca a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy para a pasta das Cidades. No PT, Marta é vista como a candidata natural do partido para disputar a prefeitura paulistana no ano que vem. ¿Ninguém tem dúvidas de que a Marta representa a chance do PT de voltar a comandar a Prefeitura de São Paulo¿, diz um petista com trânsito junto à ex-prefeita e ao Palácio do Planalto.

Oficialmente, Lula não convidou Marta para o cargo, mas já afirmou a interlocutores que a experiência como ex-prefeita da maior cidade do País credencia a petista a comandar o Ministério das Cidades. Mais do que confiar no potencial de Marta, Lula se sente em dívida com a ex-prefeita pelo fato de ela ter desempenhado papel fundamental em sua eleição no ano passado. Graças ao engajamento de Marta no segundo turno, Lula viu sua diferença para seu concorrente, o tucano Geraldo Alckmin, diminuir na etapa final da corrida ao Planalto.

Marta está pronta para colaborar com o governo Lula, se assim o presidente quiser. Anteontem, em Brasília, quando participou da cerimônia de posse do companheiro petista, disse estar ¿disponível¿.

Interlocutores da ex-prefeita não escondem que ela tem a pretensão de ocupar um ministério e que seu projeto político está muito mais voltado para a sucessão de 2010 do que para a disputa de 2008.

¿Ela já foi prefeita. O projeto político dela é muito mais disputar o governo de São Paulo ou até quem sabe o Palácio do Planalto¿, diz um aliado de Marta. ¿Entre disputar a prefeitura novamente e ficar com uma vaga no governo Lula, é claro que ela fica com o posto de Brasília. Ela só vai disputar a prefeitura no ano que vem se estiver de mãos vazias¿, comenta outro político ligado a Marta.

O recado de Lula não serve apenas para Marta. O deputado paulista Renato Simões, cotado para a Secretaria Especial de Direitos Humanos, também se encaixa na lista dos petistas com chances de disputar a eleição municipal de 2008. Simões pode ser o candidato do PT na disputa pela Prefeitura de Campinas (SP). Outro com interesse em ocupar um cargo no governo é o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Ele, porém, não almeja cargo majoritário a curto ou médio prazo.

Ainda sem substituto para Bastos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que permanecesse no ministério até 31 de janeiro, mas terá de segurá-lo no posto por mais 15 dias, pelo menos, porque ainda não encontrou o substituto. O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, já mandou recados de que gostaria de ser transferido para a Justiça, mas não teve sucesso.

Um assessor palaciano que acompanha o debate diz que, na opinião do presidente, Tarso não tem o perfil político ideal para a pasta. Segundo o mesmo assessor, a Justiça virou um dos nós da reforma ministerial.

A cautela presidencial tem razões. Pesquisas internas dão conta de que a Justiça é um dos ministérios com maior índice de aprovação. Por outro lado, Lula avalia que Bastos cumpriu, discretamente, importante papel na articulação política, especialmente junto à oposição.

Advogado respeitado, com serviços profissionais prestados a políticos de diversos partidos, Bastos sempre cultivou boas relações com lideranças no PFL e no PSDB. Também pesou a favor dele o fato de não militar no PT.

Neste cenário, o nome que volta à cena é o do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence.